O mercado de fretes rodoviários de grãos em Mato Grosso do Sul passou por um processo de acomodação em maio, após a intensa movimentação causada pela colheita da soja. Embora tenha havido uma queda em parte das rotas em comparação com abril, os preços se mantiveram entre 13% e 42% acima dos valores registrados no mesmo mês de 2025, evidenciando a alta demanda por transporte e os custos operacionais elevados.
De acordo com o Boletim Logístico da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), do total de 17 principais rotas monitoradas no Estado, 12 apresentaram redução nos fretes em maio em relação ao mês anterior, com quedas variando de 2% a 9%. Em contrapartida, três rotas mostraram aumento nos preços. Na comparação com maio do ano passado, todas as rotas continuam mais onerosas, com as maiores oscilações observadas entre Sidrolândia (MS) e Rio Grande (RS), que registraram alta de 42%, e entre Dourados (MS) e Rio Grande (RS), que teve aumento de 40%.
As rotas de São Gabriel do Oeste (MS) a Maringá (PR) e de Sidrolândia (MS) a Santos (SP) também apresentaram elevações de 27%. A análise da Conab indica que essas mudanças nos preços refletem uma acomodação típica após o encerramento da colheita da safra de verão, sem que o mercado perca seu dinamismo. Mesmo com a menor pressão logística, o escoamento da produção continua intenso, impulsionado pelas exportações de soja e pela demanda do setor de proteína animal nas regiões Sul e Sudeste.
Outro fator que impactou o mercado foi o avanço da segunda safra de milho. Durante o mês de maio, os produtores se concentraram no desenvolvimento das lavouras e na preparação dos armazéns, adotando uma estratégia de retenção comercial do cereal. No comércio exterior, Mato Grosso do Sul exportou 900 mil toneladas de soja em maio, gerando uma receita de US$ 385,6 milhões, com a demanda da China sendo um dos principais impulsionadores. Por outro lado, as exportações de milho permaneceram zeradas pelo segundo ano consecutivo, direcionando parte da demanda por transporte para o abastecimento do mercado interno.
Os principais corredores logísticos para o escoamento da produção sul-mato-grossense continuam sendo os portos de Paranaguá (PR), Santos (SP) e São Francisco do Sul (SC). Apesar da acomodação observada em maio, os custos operacionais permanecem em alta. Os preços do óleo diesel e de outros insumos logísticos continuam elevados, enquanto a estagnação dos prêmios de exportação nos portos do Sul e de São Paulo diminuiu a atratividade dos embarques externos, reforçando o abastecimento da indústria nacional.
A combinação entre uma demanda doméstica consistente, as exportações de soja e os altos custos operacionais mantém os fretes em patamares superiores aos registrados no ano anterior. O cenário atual aponta que o mercado passou por um ajuste sazonal após o pico da safra, mas continua sustentado pela necessidade de movimentação da produção agrícola e pelo abastecimento do mercado consumidor.
