São Paulo registrou em 2025 o maior número de mortes decorrentes de ações policiais desde 2019, conforme aponta o relatório "Pele Alvo", divulgado pela Rede de Observatórios da Segurança nesta quarta-feira (1º). O estado contabilizou 834 mortes, um aumento em relação aos 812 registros de 2024. Este crescimento nas mortes ocorre em um contexto de redução significativa nos índices de criminalidade, incluindo quedas de 18,8% nos roubos, 6,3% nos furtos e mais de 50% nos casos de latrocínio, que é o roubo seguido de morte.
Os pesquisadores do levantamento destacam que o aumento da letalidade é mais reflexo de uma gestão da segurança pública do que de alterações na criminalidade. O relatório indica que a tendência de alta nas mortes foi iniciada em 2023, coincidente com a posse do governador Tarcísio de Freitas. Em 2022, o estado havia registrado o menor índice desde 2019, com 419 mortes, período que também correspondeu à introdução de câmeras corporais para os policiais. Desde então, os números de mortes têm crescido de forma contínua.
O estudo revela que, das 834 mortes registradas em 2025, 64,6% das vítimas eram negras (pretas ou pardas), apesar de essa população representar apenas 40,9% do total da população do estado. Além disso, a maioria das vítimas eram homens, totalizando 98,7%, e a faixa etária entre 18 e 29 anos concentrou 41,7% dos casos. A capital paulista foi responsável por 30,5% das mortes em todo o estado.
No total, entre 2019 e 2025, São Paulo teve 4.774 mortes causadas por intervenções policiais. Em um panorama nacional, os nove estados monitorados pela Rede de Observatórios (Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo) registraram 4.330 mortes por ações policiais no ano passado. São Paulo ficou em segundo lugar, atrás da Bahia, que teve 1.570 mortes no mesmo período.
O relatório "Pele Alvo" é elaborado pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania e utiliza dados obtidos através da Lei de Acesso à Informação, coletados junto às secretarias de segurança estaduais. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo foi contatada para comentar os dados, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria.
