Rogério Leite, de 43 anos, e Amauri de Moraes, de 53, são exemplos de como a paixão por carros antigos vai além da estética. Para eles, não há comparação entre os veículos novos e as relíquias sobre quatro rodas, que representam muito mais do que um simples meio de transporte. O prazer de possuir um carro antigo se traduz em momentos de socialização e amizade. "Isso é fábrica de fazer amigos. Se eu parar com carro novo ninguém vai conversar comigo. Onde eu paro faço amizade", afirma Amauri, ressaltando a importância do convívio que esses veículos proporcionam.
Ambos os entusiastas estiveram presentes no 2º Encontro de Carros Antigos, realizado no Rancho do Galo, localizado na MS-010, que reuniu diversos modelos icônicos dos anos 80 e 90. O evento, que ocorreu na manhã do último sábado, dia 27, e se estendeu até a tarde, atraiu apaixonados por automóveis que compartilham um amor comum por suas máquinas. A interação entre os participantes é instantânea, com pessoas admirando os carros, fazendo perguntas sobre suas histórias e criando novas amizades.
Rogério se destaca com seu Fusca 1972, carinhosamente chamado de Herbie. Ele encontrou o carro após anos de abandono e decidiu revitalizá-lo. "Chamei ele de Herbie. O carro tem peças originais de fabricação, assoalho original de fábrica e motor 1300", explica. A aparência envelhecida do veículo é intencional, resultado de um trabalho cuidadoso de restauração. Rogério optou por deixar algumas partes com aspecto de relíquia, demonstrando um carinho especial pela originalidade do Fusca.
Amauri, por sua vez, possui uma coleção que inclui uma Caravan, um Opala, um Fusca e um Chevette 1976, que é seu favorito. Com uma mecânica adaptada do Opala 6 cilindros, o Chevette passou por uma reforma significativa no final do ano passado. Amauri afirma que o carro é uma extensão de sua personalidade. "Ele é minha cara esse carro. Meu negócio é ele", diz, destacando a relação afetiva que construiu com o veículo ao longo dos anos.
Para tornar sua experiência ainda mais única durante os encontros, Amauri criou um “bercinho” a partir da carroceria de uma Marajó, onde dorme durante os eventos. Antes, ele utilizava uma barraca, mas agora desfruta de maior conforto. Além disso, adicionou um sistema de som potente ao Chevette, que, segundo ele, serve para "incomodar os outros". A devoção de Amauri aos carros antigos é tão intensa que ele garante não trocaria seu Chevette por nada, nem mesmo se fosse pago por isso. "Os novos não têm graça", conclui, reafirmando a conexão emocional que mantém com seu automóvel.
