A visita do governador Eduardo Riedel à cidade de Nova Andradina e à região deverá reunir diversas lideranças políticas de diferentes correntes. Em períodos que antecedem as eleições, é comum observar um fenômeno recorrente na política brasileira: o da conveniência.
É esperado que figuras que anteriormente faziam críticas severas ao governo busquem agora um espaço ao lado daqueles que mantiveram sua lealdade ao projeto político desde o início. Embora a mudança de posição seja legítima na política, ela deve ser acompanhada de coerência e explicações claras. O que gera desconfiança é a alteração repentina de postura, motivada apenas pela busca de aproximação com o poder.
Os eleitores têm boa memória e sabem que discursos acalorados, ataques públicos e críticas contundentes não desaparecem simplesmente porque uma fotografia ao lado de uma autoridade pode trazer benefícios eleitorais. A imagem pode ser alterada, mas os registros permanecem intactos.
A crença de que basta compartilhar o mesmo palanque para reescrever a própria história é um equívoco. Aqueles que acompanham a política local são capazes de distinguir entre aliados de ocasião e aqueles que mantiveram suas convicções, mesmo diante de adversidades.
A democracia admite alianças, reaproximações e mudanças de posicionamento. Contudo, o que não é bem aceito é a incoerência disfarçada de convicção. O eleitor espera autenticidade, compromisso e transparência, e não manobras estratégicas motivadas exclusivamente pela proximidade das eleições.
Em última análise, o palanque é apenas um cenário para as disputas políticas. O verdadeiro julgamento ocorre nas urnas, onde os eleitores avaliam não apenas os discursos atuais, mas também a coerência entre as declarações do passado e as ações do presente.
