O senador Jaques Wagner (PT-BA) foi incluído como alvo na nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no dia 18. A investigação da Polícia Federal (PF) reúne elementos que indicam um possível recebimento de vantagens indevidas no contexto do Caso Master.
Um dos principais focos da apuração é um apartamento de luxo, avaliado em R$ 2,45 milhões, localizado no empreendimento Poème Horto, em Salvador. Embora o imóvel não esteja formalmente registrado no nome de Wagner, a PF acredita que ele seja o verdadeiro beneficiário. A investigação aponta que o senador teria compartilhado informações detalhadas sobre o apartamento com o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, incluindo dados sobre a unidade e a negociação.
A compra do apartamento, segundo a PF, foi realizada pela Epítome S.A., uma empresa que, de acordo com as investigações, teria recebido recursos ligados ao grupo sob suspeita. Além do imóvel, uma troca de mensagens em maio de 2025 entre um filho ou filha de Wagner e pessoas ligadas ao senador é vista como evidência. Na conversa, foi solicitado o registro do proprietário formal do imóvel para emissão de um Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), documento necessário para obras ou modificações.
Essas comunicações reforçam a suspeita de que familiares de Wagner estariam diretamente envolvidos na gestão do apartamento, o que levanta questões sobre o uso efetivo do imóvel. A PF também destaca a relação próxima entre Wagner e Augusto Lima, que é o proprietário do Banco Pleno. Essa conexão pode ter facilitado discussões reservadas sobre interesses financeiros que envolvem o grupo investigado.
Além do apartamento, a PF relaciona outras vantagens que podem indicar um benefício ao senador. Entre essas vantagens estão o uso de aeronaves privadas e a aquisição de ingressos para eventos fora do país. Um caso específico mencionado envolve a compra de ingressos para um show em Los Angeles, nos Estados Unidos, onde uma empresa ligada ao grupo investigado gastou R$ 63 mil para adquirir os bilhetes, que eram destinados a familiares de Wagner.
Com esse conjunto de evidências, a Polícia Federal sustenta suas suspeitas de que o senador possa ter se beneficiado, direta ou indiretamente, de estruturas financeiras associadas ao esquema investigado no Caso Master.
