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Acordo entre EUA e Irã resulta na suspensão de bloqueio a portos

A assinatura de um acordo entre Os Estados Unidos e o Irã leva à suspensão do bloqueio naval aos portos iranianos, permitindo a reabertura do Estreito de Ormuz, essencial para o transporte de energia.
Transporte Marítimo — Foto: Transporte Marítimo Paul ELLIS / AFP
Transporte Marítimo — Foto: Transporte Marítimo Paul ELLIS / AFP

Na quinta-feira (18), Os Estados Unidos anunciaram a suspensão do bloqueio aos portos do Irã, uma medida que estava em vigor desde o início do conflito no Oriente Médio. A decisão ocorreu após a assinatura de um acordo entre o presidente Donald Trump e o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, marcando o início de um período de 60 dias de negociações sobre uma série de questões, incluindo o programa nuclear iraniano.

As negociações planejadas na Suíça, que devem ocorrer na sexta-feira (19), ainda estão envoltas em incertezas, especialmente considerando a falta de relações diplomáticas entre os dois países desde a revolução islâmica de 1979. Apesar das dúvidas sobre a continuidade das discussões, o acordo já teve um impacto significativo no mercado de petróleo, com os preços caindo após a sua assinatura.

O bloqueio naval, que impedia a movimentação de navios nos portos iranianos, foi suspenso pelas forças armadas dos EUA. Embora os navios de guerra americanos continuem na região, essa medida permite a passagem de embarcações, como foi o caso de três petroleiros sauditas que deixaram o Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz. O Mraikh, um navio carregado de gás natural liquefeito (GNL), também se destacou como o primeiro navio francês a realizar a travessia desde o início do conflito.

O vice-presidente JD Vance informou que, desde a suspensão do bloqueio, pelo menos 12 navios conseguiram passar pela área. Antes do início da guerra, o Estreito de Ormuz registrava cerca de 120 transações diárias de navios, conforme dados da revista Lloyd’s List.

Em meio a esse cenário, Vance anunciou planos de participar de “negociações técnicas” na Suíça no final de semana, enquanto o contexto interno No Irã apresenta divergências. O presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, descreveu o acordo como um “fracasso” para os EUA, ao passo que Pezeshkian o elogiou como um marco histórico.

Agnes Lavallois, presidente do Instituto Francês de Pesquisa e Estudos sobre o Mediterrâneo e o Oriente Médio, observou que a prioridade dos americanos parece ser a reabertura do Estreito de Ormuz, sugerindo que as justificativas apresentadas para a guerra perderam relevância. Apesar da inclusão do Líbano nas discussões, permanece a dúvida sobre como questões como o conflito entre Israel e o Hezbollah serão abordadas nos próximos dois meses.