O senador Jaques Wagner (PT-BA), que atualmente ocupa a liderança do governo Lula no Senado, foi alvo de uma operação realizada pela Polícia Federal (PF) na quinta-feira (18). Essa ação faz parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master.
Nascido em 16 de março de 1951 no Rio de Janeiro, Wagner iniciou sua trajetória política como ativista estudantil no final da década de 1960. Durante seu período na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde cursava Engenharia Civil, não conseguiu concluir o curso devido à repressão da ditadura militar. Em 1974, mudou-se para a Bahia, onde começou sua carreira como técnico de manutenção no Polo Petroquímico de Camaçari, na região metropolitana de Salvador, e se envolveu com o ativismo sindical, tornando-se diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Petroquímica (Sindquímica/BA).
A atuação sindical o aproximou de lideranças nacionais, inclusive do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Wagner foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores em 1980 e, em 1990, foi eleito deputado federal, sendo reeleito em 1994 e 1998 pelo estado da Bahia. Após a reeleição de Lula em 2002, Wagner assumiu o cargo de Ministro do Trabalho e Emprego, além de ter ocupado a Secretaria Especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República. Em 2005, tornou-se Ministro das Relações Internacionais.
Em 2006, Wagner foi eleito governador da Bahia, cargo que ocupou novamente após vencer as eleições de 2010, marcando um importante momento ao derrotar o “carlismo”, vinculado às forças conservadoras de Antônio Carlos Magalhães. Após a reeleição de Dilma Rousseff em 2014, ele retornou ao governo federal como Ministro da Defesa e, em outubro de 2015, foi indicado para a Casa Civil. No entanto, em 2016, saiu do ministério durante o processo de impeachment de Dilma.
Em 2018, Wagner foi eleito senador pela Bahia e, em 2023, foi apontado como líder do governo Lula no Senado. Durante a operação realizada na quinta-feira, a PF encontrou US$ 49 mil em um quarto de hotel associado ao senador em Brasília. O montante apreendido é significativo, considerando que as perdas potenciais relacionadas ao esquema investigado podem chegar a R$ 12 bilhões.
Com o avanço das investigações, a Polícia Federal passou a examinar práticas de lavagem de dinheiro, ocultação de ativos e uso indevido de informações sigilosas, além de suspeitas de pressão contra adversários e atos de corrupção. Outro foco das investigações envolve transações financeiras entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), que incluem aportes bilionários e a destinação de recursos que supostamente beneficiaram agentes públicos.
