Nesta segunda-feira, uma declaração conjunta de Estados Unidos, União Europeia, Nações Unidas e União Africana reforçou a pressão por uma solução política para a guerra civil no Sudão, visando a formação de um governo civil independente. O comunicado segue as consultas realizadas de 3 a 5 de junho em Adis Abeba, na Etiópia, que reuniram representantes do 'Quinteto', composto pela União Africana, Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD), Liga Árabe, União Europeia e ONU, além de diversos atores políticos sudaneses.
Os signatários da declaração reafirmaram seu compromisso com a soberania, a unidade territorial e a estabilidade do Sudão, mas expressaram preocupação com o agravamento da crise humanitária provocada pelo conflito. A declaração destaca que milhões de pessoas continuam deslocadas, enfrentando insegurança alimentar severa, escassez de serviços básicos e constantes ataques a civis e à infraestrutura.
O conflito no Sudão teve início em abril de 2023, quando a disputa pelo poder entre o Exército Sudanês, liderado pelo general Abdel Fattah al-Burhan, e as Forças de Apoio Rápido (RSF), sob o comando de Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como 'Hemedti', se intensificou. Desde então, o país atravessa uma das mais profundas crises humanitárias do mundo.
Estimativas de organizações internacionais indicam que mais de 12 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas residências desde o início da guerra. A ONU também classificou a situação alimentar em várias regiões do Sudão como uma das mais críticas globalmente, com milhões de sudaneses enfrentando altos níveis de fome.
Na declaração, a comunidade internacional reiterou que não há solução militar para o conflito e que um acordo duradouro requer um governo civil independente, considerado essencial para a resolução do impasse. Outro ponto importante do comunicado foi a advertência de que a comunidade internacional poderá implementar medidas contra indivíduos ou grupos que tentem obstruir a transição política, sinalizando a possibilidade de novas sanções diplomáticas e econômicas.
Ao final, os países e organizações envolvidos reafirmaram seu compromisso em coordenar esforços para mitigar o sofrimento da população, aumentar a assistência humanitária e apoiar a busca por uma solução política sustentável para o Sudão. Este comunicado representa uma significativa manifestação de unidade internacional em relação ao conflito, aumentando a pressão sobre os grupos armados para que aceitem negociações e permitam o avanço de uma transição liderada por civis.
