Thalita Pantaleão, de 24 anos, e Daniel Jorge, de 32, deixaram Campo Grande (MS) em fevereiro de 2022 em busca de uma nova vida Na Europa. O casal, que se estabeleceu inicialmente em Lisboa, Portugal, decidiu se aventurar no setor de transportes, mesmo sem experiência prévia na área. Para eles, essa escolha representou uma oportunidade de garantir estabilidade financeira enquanto exploravam o continente europeu.
Antes de imigrar, Thalita trabalhava como produtora de eventos e bartender Em Campo Grande. Ao chegar em Lisboa, buscou se inserir no mesmo setor, que é mais acessível para imigrantes sem documentação regularizada. Contudo, após dois anos, a dupla decidiu investir na carreira de caminhoneiros, que se apresentou como uma alternativa promissora.
"A história é um pouco menos romântica do que eu gostaria que fosse", afirma Thalita. Ela destaca que a percepção de que basta chegar à Europa para enriquecer não condiz com a realidade enfrentada pelo casal. Eles perceberam que a maioria das profissões tinha limitações e que, ao não possuírem um plano estabelecido, a área de transporte se tornou uma boa oportunidade de crescimento.
Após a mudança para Covilhã, no distrito de Castelo Branco, onde o custo de vida é mais acessível, o casal tirou a habilitação para dirigir veículos pesados e realizou um curso necessário para a profissão. Thalita conta que Daniel também não tinha experiência anterior na área, mas a demanda por mão de obra facilitou a inserção deles no mercado de trabalho.
A adaptação cultural foi um desafio significativo. Acostumados ao calor humano brasileiro, a transição para a cultura portuguesa trouxe dificuldades. Thalita ressalta que o acolhimento caloroso do povo brasileiro é algo raro de encontrar em outros lugares, e essa diferença foi sentida de forma intensa.
Apesar dos desafios, o casal reconhece que a imigração trouxe melhorias significativas para suas vidas. No entanto, a saudade da família e dos amigos permanece como o aspecto mais difícil de viver fora do Brasil. Thalita reflete sobre a experiência, afirmando que imigrar é "iniciar uma coleção de saudades". Ela enfatiza a importância de estar preparado para lidar com a distância e os sacrifícios que a nova vida exige.
