Uma família que se preparava para o sepultamento de uma avó no Cemitério Municipal de Naviraí se deparou com uma situação inesperada: ao abrir a cova, o local destinado à avó, que falecera recentemente, estava vazio. O avô da falecida, sepultado em 2021, deveria estar ao seu lado, mas a descoberta revelou que o túmulo já havia sido ocupado por outros corpos.
Após a constatação do sumiço do corpo, os familiares questionaram o coveiro, que revelou que a sepultura havia sido utilizada por outros falecidos. Em 2021, o avô foi exumado e, desde então, outro corpo foi sepultado no local. Em 2024, uma nova exumação ocorreu, resultando na ocupação do túmulo por uma terceira pessoa que não tinha qualquer relação com a família, tudo isso em decorrência de editais de exumação emitidos pela Prefeitura de Naviraí devido à superlotação.
A situação gerou um inquérito civil por parte da Promotoria de Justiça, que investiga as irregularidades no funcionamento do cemitério. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) identificou falhas no processo de exumações, ausência de controle administrativo e possíveis violações da dignidade humana. Durante as investigações, foram detectados problemas como a falta de registros confiáveis e um sistema inadequado para o controle das ossadas, além de algumas estarem sem identificação.
Além disso, a Promotoria constatou que ossos humanos estavam armazenados de maneira irregular no ossuário, contrariando as normas legais e princípios de respeito à dignidade da pessoa humana. A superlotação do cemitério também foi um ponto crítico da investigação, que levantou indícios de sepultamentos irregulares em áreas de circulação.
A legislação municipal estabelece critérios claros para exumações e exige um registro detalhado de todas as movimentações, diretrizes que, segundo o MPMS, não estavam sendo seguidas. De acordo com a Promotoria, a falta de controle e a desorganização no cemitério resultaram em uma situação que desrespeita não apenas os direitos dos falecidos, mas também a dor das famílias que ali sepultam seus entes queridos.
Diante desse cenário, a família afetada precisou buscar os restos mortais do avô, que haviam desaparecido. O Executivo municipal informou que estava tomando medidas para reorganizar os serviços do cemitério, incluindo a implementação de um sistema informatizado e a revisão dos processos internos.
