O fortalecimento do hábito de leitura na infância é considerado um dos maiores legados que os pais podem deixar aos seus filhos. A prática da leitura não apenas contribui para a formação acadêmica, mas também desempenha um papel vital na construção do caráter, na estimulação da criatividade e na ampliação de horizontes, influenciando diretamente o futuro profissional e pessoal dos indivíduos. Diante dos baixos índices de leitura que caracterizam a América Latina, é essencial que famílias, escolas, igrejas e outras instituições sociais reconheçam a relevância dessa missão.
O amor pelos livros não surge por acaso; ele é cultivado no ambiente familiar, por meio do exemplo, do incentivo e do espaço propício que os pais criam. As crianças, naturalmente curiosas e abertas ao conhecimento, aos valores morais e aos princípios espirituais, precisam que os adultos aproveitem essa fase única da vida para apresentá-las ao universo da leitura, da reflexão e do aprendizado. Hábitos simples formados na infância podem ter um impacto significativo no futuro, especialmente na tênue linha que muitas vezes separa o sucesso do fracasso.
Ao rememorar os anos dourados da infância em Corumbá, a querida Cidade Branca, é fácil visualizar dois irmãos inseparáveis imersos em livros antes do amanhecer, enquanto a cidade ainda repousava em silêncio. Rubens Aquino e o autor foram privilegiados pelo exemplo de seus pais, Manoel Dantas de Oliveira e Dair Aquino de Oliveira. O pai, um militar da Marinha do Brasil, originário da Bahia, escolheu Corumbá como o lugar para construir sua história e criar sua família, ensinando desde cedo a importância da disciplina, da honestidade e do conhecimento.
Diariamente, às quatro horas da manhã, o despertador soava e o pai se levantava junto aos filhos, acompanhando-os na mesa de estudos, onde lia seus jornais e livros preferidos. Enquanto muitos ainda dormiam, os meninos se dedicavam a explorar as páginas da Barsa, além de livros de aventuras, romances e ficção que alimentavam sua imaginação. Antes desse ritual de leitura, a rotina incluía exercícios físicos no quintal e o tradicional banho gelado para despertar os sentidos.
A leitura se tornava uma parte intrínseca da infância, manifestando-se não apenas através dos livros, mas também pelo rádio que encantava as noites, pelo cinema que ampliava seus horizontes e pelas interações com as crianças Na Rua 21 de Setembro, onde aprenderam que narrar histórias é uma forma poderosa de tocar o coração dos outros. Ao olhar para o passado, percebe-se que a infância foi rica não por bens materiais, mas pela abundância de sonhos, princípios e valores. Essa riqueza é o que torna as memórias daquela época tão vívidas e eternas.
Este artigo serve como um apelo aos pais da atual geração: leiam para os seus filhos. Incentivem-nos a descobrir o prazer que a leitura proporciona. Contem histórias, desconectem-se das telas e criem momentos de convivência e diálogo que estimulem a imaginação dentro de casa. Crianças que aprendem a amar a leitura dificilmente se sentirão vazias interiormente. Os livros não apenas transmitem informações, mas iluminam caminhos, despertam sonhos e ajudam a moldar seres humanos melhores.
