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Vereador e empresários de Terenos seguem sob monitoramento eletrônico até agosto

O TJMS prorrogou o uso de tornozeleira eletrônica para o vereador Arnaldo Glaglau e dois empresários, envolvidos em esquema de corrupção na Prefeitura de Terenos. A decisão é resultado da Operação Spotless, que revelou fraudes em licitações públicas.
Vereador Arnaldo Glaglau, de Terenos, é filiado ao PSD. (Foto: Madu Livramento)
Vereador Arnaldo Glaglau, de Terenos, é filiado ao PSD. (Foto: Madu Livramento)

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) decidiu prorrogar por mais 90 dias o monitoramento eletrônico do vereador Arnaldo Glaglau, do PSD, que está sendo investigado por sua suposta participação em um esquema de corrupção na Prefeitura de Terenos. Esta decisão também se estende aos empresários Rinaldo Córdoba de Oliveira e Rogério Luís Ribeiro. A nova determinação foi publicada na edição do Diário da Justiça Eletrônico, datada desta segunda-feira (18).

O desembargador Jairo Roberto de Quadros, que atua na Seção Especial Criminal, enfatizou que qualquer violação ao monitoramento poderá resultar na decretação da prisão preventiva dos envolvidos. O vereador Glaglau se encontra afastado de seu cargo enquanto as investigações prosseguem.

As investigações começaram a ganhar destaque após a deflagração da Operação Spotless, realizada em 9 de setembro de 2025 pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção). A operação revelou um esquema complexo de corrupção na administração pública de Terenos, liderado pelo prefeito Henrique Budke, do PSDB. No total, foram expedidos 16 mandados de prisão e 59 mandados de busca e apreensão em Terenos, Campo Grande e Santa Fé do Sul, em São Paulo.

Durante a investigação, constatou-se que servidores públicos fraudaram licitações, elaborando editais que simulavam uma competição legítima para beneficiar determinadas empresas. As fraudes somaram mais de R$ 15 milhões apenas no último ano. Além disso, o esquema incluía o pagamento de propinas para agentes públicos, que atestavam falsamente a entrega de produtos e serviços, acelerando processos de pagamento de contratos.

A Operação Spotless foi desencadeada com base nas evidências coletadas na Operação Velatus, realizada em agosto de 2024. A investigação confirmou que Henrique Budke era o chefe da organização criminosa que atuava dentro da Prefeitura de Terenos. O nome da operação, Spotless, refere-se à necessidade de que os processos de contratação pública sejam conduzidos de maneira limpa e transparente.

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS) formalizou a denúncia contra Budke e mais 25 pessoas envolvidas no esquema criminoso. As investigações revelaram que as licitações de obras públicas eram manipuladas, com empresas alternando a prestação de serviços para garantir que o grupo se beneficiasse. O procurador-geral de Justiça, Romão Ávila Milhan Júnior, afirmou que a organização criminosa estava instalada no Poder Executivo de Terenos, atuando por anos para fraudar licitações e desviar recursos públicos. Os denunciados se tornaram réus em outubro.