O Departamento Estadual de Trânsito do Mato Grosso do Sul (DETRAN-MS) anunciou a demissão de Elena Rodrigues Alarcon, que exercia a função de assistente de vistoria e identificação veicular na Agência de Trânsito de Bela Vista. A oficialização da demissão ocorreu por meio de publicação no Diário Oficial do Governo do Estado na última sexta-feira, dia 15 de setembro de 2023.
A decisão foi tomada após a análise de um relatório final de uma comissão responsável por um processo administrativo disciplinar, que investigou as ações de Elena Rodrigues. O diretor presidente do DETRAN-MS, Rudel Espíndola, também considerou as deliberações do Conselho de Administração da autarquia para efetivar o desligamento da servidora. A publicação do Diário Oficial destaca que Elena se beneficiou de seu cargo para obter vantagens pessoais e violou a norma que proíbe servidores de receber comissões, propinas ou qualquer tipo de vantagem relacionada às suas funções.
Elena Rodrigues, juntamente com outros envolvidos, foi denunciada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) em uma ação penal. O grupo, que inclui Alexandro Guerreiro Ribeiro, Arlete Aparecida De Jesus e Jose Carlos Batista De Abreu, é acusado de inserir informações falsas no sistema do DETRAN-MS. A investigação revela que a servidora alterou pelo menos 184 processos de transferência de veículos, facilitando a prática de fraudes.
A servidora foi um dos alvos da operação “Gravame”, realizada pela Polícia Civil em junho de 2023, que investigou crimes como corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica e a inserção de dados falsos em sistemas do DETRAN-MS. As apurações indicaram que Elena recebia propinas para efetuar transferências irregulares de veículos, que eram enviados de outros estados. Ela realizava alterações nos registros, mesmo sem que os veículos tivessem circulado ou passado por vistoria.
Além disso, Elena estava envolvida em um esquema que permitia a transferência de carretas com a inclusão fraudulenta do 4º eixo nas especificações do veículo. Esse processo normalmente exige a aprovação de um engenheiro e a validação pelo INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia). Durante um período de oito meses, a servidora movimentou mais de R$200 mil, enquanto sua remuneração no mesmo intervalo foi de pouco mais de R$30 mil.
