Um estudo recente revelou um aumento significativo na desinformação eleitoral, coincidentemente com os 30 anos de uso das urnas eletrônicas no Brasil, completados em 13 de setembro de 2023. A Pesquisa do Projeto Confia, parte do Pacto pela Democracia, identificou que 45% dos conteúdos desinformativos veiculados durante os últimos ciclos eleitorais se concentraram nas urnas.
Além disso, a pesquisa destacou que desinformações relacionadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a outras autoridades representaram 27,1% do total. Teorias sobre possíveis fraudes na apuração dos votos somaram 21,8% e informações falsas sobre regras e logística eleitoral corresponderam a 15,4%. As alegações mais recorrentes incluem a existência de atrasos no botão “confirma” e a ideia de que a urna eletrônica completaria automaticamente os dados inseridos pelos eleitores.
Helena Salvador, coordenadora do Projeto Confia, explicou que a desinformação se aproveita da falta de conhecimento técnico da população sobre o sistema eleitoral. Ela apontou que as narrativas frequentemente utilizam explicações técnicas incorretas para sugerir falhas e manipulações, gerando desconfiança. “Elementos concretos da experiência de votação, como as teclas da urna e as mensagens exibidas na tela, são utilizados para gerar estranhamento e alimentar dúvidas”, afirmou.
A coordenadora também ressaltou que o acesso esporádico da população às urnas, que ocorre apenas a cada dois anos, facilita a propagação de informações falsas. “As pessoas só têm contato com a urna no dia da votação, o que dificulta a checagem rápida de notícias falsas”, acrescentou.
A pesquisa analisou mais de 3 mil conteúdos publicados durante as eleições de 2022 e 2024, sendo que 716 mensagens foram selecionadas para uma análise qualitativa mais aprofundada. Dentre essas, 326 continham ataques diretos às urnas eletrônicas. O levantamento tem como objetivo entender a perda de confiança nas eleições, especialmente em relação ao sistema de votação.
O Pacto pela Democracia, que inclui mais de 200 organizações da sociedade civil, trabalha no monitoramento de ameaças ao Estado Democrático de Direito e no combate à desinformação eleitoral, visando preparar o terreno para as eleições de 2026.
