O empreiteiro Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, proprietário da Construtora Rial, foi um dos sete detidos na operação "Buracos Sem Fim" realizada pelo Ministério Público do Estado. Nos últimos três meses, ele celebrou cinco contratos com a Prefeitura de Campo Grande e o Governo do Estado, que somam R$ 36,9 milhões. O primeiro contrato foi assinado em 12 de fevereiro, apenas dez dias após a ascensão de Rudi Fiorese ao cargo de diretor da Agesul, com um valor de R$ 9,9 milhões destinado à manutenção de 417 quilômetros de estradas na regional de Camapuã. Este contrato foi uma renovação de um acordo original estabelecido em 2021, quando Fiorese ainda ocupava uma posição na prefeitura de Campo Grande.
Posteriormente, no dia 13 de março, foi assinado um contrato para a pavimentação de ruas em Jaraguari, no valor de R$ 4,7 milhões. No dia seguinte, foi divulgada a renovação de um contrato para manutenção de vias na regional de Três Lagoas, que garantiu à Construtora Rial um faturamento de R$ 11,5 milhões ao longo de um ano, a menos que uma nova licitação ocorra. A mais recente contratação, firmada com a Prefeitura de Campo Grande, ocorreu em 5 de maio, com a publicação de dois contratos que totalizam R$ 10,7 milhões para serviços de recapeamento. Esses serviços visam, em tese, solucionar os problemas de buracos, que foram o foco principal da operação do Ministério Público.
A prefeitura organizou a cidade em sete regiões, e a Construtora Rial foi a única escolhida para atuar nas regiões de Anhanduizinho e Imbirussu. Entre 2018 e 2025, a empresa já havia assinado contratos e aditivos que ultrapassam R$ 113 milhões, embora o MPE não tenha revelado o nome da empreiteira inicialmente. A prisão de Antônio Bittencourt destaca a Construtora Rial como o alvo central da operação "Buracos Sem Fim". Além dele, foram detidos Rudi Fiorese, na residência de quem foram encontrados R$ 186 mil, e o pai do empreiteiro, Antonio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa.
Outro detido foi o engenheiro Edivaldo Pereira Aquino, que atuava como coordenador do serviço de tapa-buracos. Em sua casa, as autoridades apreenderam R$ 233 mil em cédulas de Real e moeda estrangeira. Também foi preso o engenheiro Mehdi Talayeh, que ocupa um cargo de chefia na secretaria de obras e era considerado um possível substituto de Marcelo Miglioli, que deixou o comando da Sisep no início de abril para se candidatar a um cargo eletivo. O Governo do Estado anunciou que irá exonerar Rudi Fiorese do comando da Agesul.
