A maternidade, por muitos anos, foi um tabu para atletas de alto rendimento, que frequentemente se viam obrigadas a escolher entre a carreira e a maternidade. Um exemplo notável é Isabel Salgado, que jogou até os seis meses de gestação, mas situações como essa eram exceções. No entanto, atualmente, as ligas esportivas e confederações têm adotado uma postura mais favorável, oferecendo suporte às atletas que desejam conciliar a maternidade com suas carreiras.
No final de 2025, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou uma mudança significativa nas políticas do futebol feminino para a temporada de 2026. A partir dessa data, a CBF começará a custear as viagens dos filhos de atletas que estão em fase de amamentação. Essa nova medida já beneficia atletas como Ketlen Wiggers, artilheira do Santos, que deu à luz Lucca em novembro de 2025. Mesmo durante a gravidez, Ketlen continuou seus treinos e, quatro meses após o parto, já estava de volta aos treinamentos.
A CBF informou que quatro jogadoras já utilizaram o benefício de custeio oferecido, incluindo Florencia Soledad Jaimes, do Internacional, Angela Soares Neves, do Remo, Miriam Farias da Silva, do Itapuense, e Rosileide Gomes da Cunha, do Ypiranga. Essa mudança representa um avanço importante na inclusão das atletas mães no cenário esportivo brasileiro.
No surfe, a medalhista olímpica Tati Weston-Weeb também é um exemplo de como a maternidade e o esporte podem coexistir. Ela deu à luz Bia Rose em fevereiro de 2023, sua primeira filha com o surfista Jessé Mendes. Mesmo durante a gestação, Tati participou de uma competição em 2025, demonstrando que a maternidade não precisa ser um impeditivo para o desempenho esportivo.
A crescente aceitação da maternidade no esporte é acompanhada por um desejo de igualdade real, onde se reconhece que ser mãe não é incompatível com a excelência profissional. Essa mudança de perspectiva é evidenciada por figuras como Sarah Menezes, que deu à luz sua segunda filha em 2025. Apesar de sua recente demissão da Confederação Brasileira de Judô (CBJ) após o retorno da licença-maternidade, Sarah expressou gratidão pelo apoio que recebeu durante sua carreira, embora a confederação ainda não possua políticas específicas para apoiar atletas-mães.
Com essas transformações, a maternidade está se tornando uma parte mais integrada da vida das atletas de alto rendimento, refletindo um compromisso crescente em apoiar as mulheres no esporte, permitindo que elas possam ser mães e continuar a perseguir seus sonhos profissionais.
