A troca regular da fronha do travesseiro pode não ser suficiente para evitar a formação de manchas amareladas no tecido, que revelam um problema mais sério do que se imagina. Especialistas apontam que até 30% do peso de um travesseiro antigo pode ser constituído por ácaros mortos, bactérias e fluidos corporais, o que representa um risco à saúde.
A fronha de algodão, mesmo quando limpa, não é impermeável e permite a penetração de suor, sebo e produtos de cuidado da pele diretamente na espuma do travesseiro. Enquanto dormimos, o corpo libera em média 200 ml de água por meio do suor, além de óleos naturais e resíduos de cosméticos. Embora a fronha absorva essa umidade, não consegue retê-la, resultando em um ambiente propício para o crescimento de microorganismos.
Essa situação é preocupante, pois, de acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o contato do rosto com superfícies contaminadas pode agravar problemas inflamatórios na pele. As manchas amareladas, portanto, não são apenas um incômodo estético, mas podem impactar diretamente a saúde. Ignorar essa condição pode levar a consequências como crises alérgicas e rinite, uma vez que a alta concentração de ácaros afeta o sistema respiratório durante as horas de sono.
Além disso, bactérias presentes na espuma podem causar acne persistente, já que elas retornam ao rosto durante a noite, resultando em espinhas que não cicatrizam. Outro efeito negativo é o envelhecimento precoce da pele, pois a inflamação crônica prejudica a renovação celular noturna. Também há uma redução na qualidade do sono, já que a presença de alérgenos pode comprometer a respiração, diminuindo o tempo de sono profundo.
No Brasil, a situação é ainda mais grave devido ao clima tropical e à elevada umidade em diversas regiões, que aceleram a degradação dos travesseiros. Enquanto em países de clima frio o amarelamento pode levar anos, no Brasil, é possível que um travesseiro acumule fungos nocivos em apenas seis meses de uso contínuo. Um hábito comum entre os brasileiros é expor o travesseiro ao sol, o que pode agravar o problema, pois o calor potencializa a multiplicação de microorganismos.
A substituição do travesseiro a cada dois anos é recomendada, mas existem maneiras de minimizar os danos. Para isso, especialistas sugerem o uso de protetores impermeáveis, que criam uma barreira entre o rosto e a espuma. Além disso, lavar a fronha com água quente ajuda a remover a gordura corporal antes que ela penetre no enchimento do travesseiro. Também é aconselhável evitar a exposição ao sol direto, preferindo locais ventilados e sombreados para arejar o travesseiro.

