A Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3), localizada em Três Lagoas, não corre risco de interrupção no abastecimento de gás natural, mesmo com a expectativa de escassez nas reservas bolivianas nos próximos anos, caso não sejam realizados novos investimentos em prospecção. A Petrobras, responsável pela reativação da unidade, estabeleceu um cronograma que prevê sua conclusão até junho de 2024.
A UFN3, considerada a maior Fábrica de Fertilizantes da América do Sul, demanda 2,2 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente para sua operação. Atualmente, a empresa estatal adquire entre 10 e 15 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia da Bolívia. O gerente-executivo de Projetos de Desenvolvimento da Produção e Descomissionamento, Dimitrios Chalela Magalhães, destacou que a Petrobras possui alternativas para garantir o fornecimento da matéria-prima.
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Magalhães explicou que, caso o fornecimento de gás da Bolívia se esgote, a Petrobras pode utilizar o gás disponível na malha brasileira. Essa estratégia envolve a reversão do fluxo do gás, permitindo que a UFN3 receba gás proveniente de jazidas brasileiras, como as do Pré-Sal e do Nordeste. O Gasbol, gasoduto que liga a Bolívia ao Brasil, também está sendo considerado para viabilizar o abastecimento com gás argentino extraído de Vaca Muerta.
Já foram realizados testes com sucesso para enviar gás argentino através do Gasbol, possibilitando a troca de fluxo entre as jazidas de Vaca Muerta e Tarija, na Bolívia. Todo esse planejamento ocorre em um contexto de crescente importância devido à instabilidade no fornecimento de fertilizantes causada pela Guerra da Ucrânia.
A UFN3 terá uma capacidade de produção de 3.600 toneladas de ureia e 2.200 toneladas de amônia diariamente, o que poderá atender cerca de 15% da demanda nacional desses insumos. O investimento total estimado para o projeto é de US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões), e durante o pico das obras, a expectativa é de geração de 7 mil a 8 mil empregos diretos, além de oportunidades indiretas na região de Mato Grosso do Sul.
O projeto mantém as características originais de 2011 e é visto como competitivo no uso de gás natural, essencial para a produção de fertilizantes. A Petrobras assegura que haverá oferta suficiente para abastecer a unidade, contando com o suporte de novos investimentos na produção de gás. Parte da infraestrutura existente será reutilizada para otimizar os custos e a eficiência do projeto.