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Tragédia de fisiculturista levanta alerta sobre o uso de anabolizantes em MS

A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, em São Paulo, evidencia os riscos associados ao uso de anabolizantes, especialmente em regiões como Mato Grosso do Sul, onde a proximidade com o Paraguai facilita o acesso a esses produtos.
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O falecimento do fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, aos 22 anos, reacendeu discussões sobre o uso indiscriminado de anabolizantes no contexto atual de busca por padrões estéticos. O jovem, que compartilhava abertamente em suas redes sociais sobre o uso contínuo de esteroides, foi encontrado sem vida em São Paulo (SP). A proximidade de Mato Grosso do Sul com o Paraguai facilita o acesso a substâncias sintéticas, uma vez que Campo Grande está a apenas 300 km de Ponta Porã, ponto de entrada de produtos hormonais comercializados em farmácias locais.

A popularidade dos anabolizantes é impulsionada pela presença de laboratórios reconhecidos no mercado paraguaio, o que torna os chamados “ciclos” mais acessíveis financeiramente e alimenta o mercado clandestino no Estado. Um jovem de 28 anos, que preferiu não se identificar, relatou que adquiriu esses produtos diretamente do Paraguai, onde o preço de uma ampola de testosterona é de R$ 110; já no Brasil, esse valor pode chegar a R$ 250, e em outros estados, até R$ 300.

Além de atravessar a fronteira para compras diretas, muitos consumidores utilizam serviços de “freteiros”, que cobram entre R$ 30 e R$ 40 por ampola para o transporte dos medicamentos. O jovem também compartilhou experiências perigosas relacionadas ao uso de anabolizantes, mencionando episódios em que quase desmaiou durante a aplicação, o que lhe causou grande preocupação.

Embora o uso de esteroides tenha se tornado comum entre frequentadores de academias e nas redes sociais, especialistas alertam para a diferença entre o tratamento hormonal com indicação médica e o uso de esteroides para fins estéticos. A médica Vanessa Vida, que atua na Vigilância Sanitária Estadual, sublinha que a utilização dessas substâncias sem supervisão médica pode ter consequências graves.

Dados da Vigilância Sanitária revelam que, até 2026, a Operação Visa-Protege apreendeu 1.135 unidades de anabolizantes enviadas por correios e transportadoras na Capital. A oxandrolona, um derivado sintético da testosterona, foi o item mais comumente encontrado nas apreensões, seguida pelo estanozolol e outros derivados de testosterona. Os anabolizantes, peptídeos e medicamentos para emagrecimento são frequentemente enviados de forma disfarçada, ocultos em objetos como bonecas, sanduicheiras e air fryers.

Matheus Pirolo, gerente do Sistema Estadual de Vigilância Sanitária, destacou que o objetivo das operações é coibir o contrabando de produtos relacionados à estética. Essa estratégia busca interceptar o trânsito de mercadorias ilícitas, visando a ação das forças de segurança pública e da Receita Federal nas estradas.