Na quarta-feira (25), a Venezuela foi atingida por dois fortes terremotos que resultaram em uma grave crise humanitária. A presidente interina, Delcy Rodríguez, confirmou que ao menos 164 pessoas perderam a vida e 971 ficaram feridas. Em resposta à calamidade, o governo declarou estado de emergência nacional e designou a região de La Guaira como "zona de desastre".
Os tremores começaram às 18h04 (horário local) com um primeiro sismo de magnitude 7,2. Apenas um minuto depois, um segundo tremor ainda mais intenso foi registrado, com magnitude 7,5. Este evento é considerado o mais forte a atingir o país em 124 anos, conforme dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O impacto dos abalos foi sentido até na Colômbia.
Em La Guaira, a devastação é visível, com dezenas de edifícios desabados e blecautes generalizados. Moradores passaram a noite nas ruas, utilizando as próprias mãos para tentar encontrar sobreviventes entre os escombros. "Não temos nada, nem forças para entrar lá", lamentou Larry Rojas, um dos moradores que aguardava informações sobre familiares presos em um edifício que desabou.
Na capital, Caracas, a situação não foi diferente. O bairro de Chacao foi severamente afetado, onde um prédio de 22 andares ficou completamente destruído. O Aeroporto Internacional de Maiquetía também sofreu danos significativos, levando ao seu fechamento. As operações de socorro foram transferidas para a base militar de La Carlota, enquanto Roberto Gamas, um dos que escaparam, descreveu a experiência: "O prédio balançava de um lado para o outro. Foi inacreditável".
Em resposta à magnitude da tragédia, o governo interino mobilizou equipes de resgate de diferentes estados e pediu apoio internacional. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou o envio imediato de recursos médicos e assistência humanitária. Outros Países da América Latina, assim como nações da União Europeia, além de China e Índia, também se ofereceram para ajudar.
Especialistas da ONU ressaltaram a importância de garantir acesso livre às redes sociais e meios de comunicação para facilitar a logística de socorro. O país continua em alerta, já que mais de 30 réplicas foram registradas desde os eventos principais. Historicamente, os terremotos mais letais na Venezuela ocorreram em 1967 (Caracas) e 1997 (Cariaco), mas nenhum com a intensidade dos tremores desta quarta-feira.
