Confrontos na fronteira disputada resultam em mortes e feridos, com ambos os lados acusando violação de cessar-fogo e civis sendo evacuados.
Novos ataques aéreos da Tailândia contra o Camboja reacendem tensões na fronteira disputada, resultando em mortes e acusações mútuas de violação de cessar-fogo.
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A Tailândia lançou ataques aéreos e terrestres ao longo de sua fronteira disputada com o Camboja nesta segunda-feira (8), marcando uma perigosa retomada das tensões entre os dois países vizinhos. O exército tailandês informou que pelo menos um soldado foi morto e quatro ficaram feridos nos novos confrontos na província de Ubon Ratchathani, no extremo leste do país, após suas tropas serem alvo de disparos cambojanos.
Ambos os lados rapidamente se acusaram de violar um acordo de cessar-fogo mediado anteriormente.
O Ministério da Defesa do Camboja, por sua vez, declarou que o exército tailandês iniciou ataques ao amanhecer contra suas forças em dois locais distintos, seguindo dias de ações provocativas. As autoridades cambojanas afirmaram que suas tropas não retaliaram, enquanto o exército tailandês alegou que foguetes BM-21 foram disparados contra áreas civis tailandesas, sem, no entanto, relatar vítimas.
Histórico de uma Fronteira Contestada
A disputa fronteiriça entre Tailândia e Camboja tem raízes profundas, tendo eclodido em um conflito de cinco dias em julho passado, que resultou na morte de pelo menos 48 pessoas e no deslocamento temporário de cerca de 300 mil. Naquela ocasião, os países trocaram foguetes e fogo de artilharia pesada, antes de um cessar-fogo ser intermediado pelo então primeiro-ministro malaio, Anwar Ibrahim, e pelo presidente dos EUA, Donald Trump, culminando em um acordo de paz assinado em Kuala Lumpur em outubro.
Contudo, a frágil paz foi abalada no mês passado, quando a explosão de uma mina terrestre mutilou um soldado tailandês, levando a Tailândia a anunciar a suspensão da implementação do pacto de cessar-fogo. Essa decisão preparou o terreno para a escalada atual.
O influente ex-primeiro-ministro cambojano Hun Sen, pai do atual líder Hun Manet, classificou os militares tailandeses como “agressores” que buscavam provocar uma resposta. Ele instou as forças cambojanas a exercerem moderação, enquanto na Tailândia, mais de 385 mil civis em quatro distritos fronteiriços estão sendo movidos, com 35 mil já alojados em abrigos temporários.
A soberania sobre pontos não demarcados ao longo da fronteira terrestre de 817 quilômetros tem sido uma fonte de discórdia por mais de um século, desde o primeiro mapeamento realizado pela França em 1907, quando o Camboja era uma colônia. A persistência dessa questão histórica continua a alimentar ciclos de violência e instabilidade na região.