O Relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), divulgado em 21 de novembro de 2023, em Paris, ressalta a contribuição significativa dos sítios protegidos para o meio ambiente e para as comunidades locais. No Brasil, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses e o Parque Nacional de Iguaçu são destacados como exemplos de áreas que recebem essa proteção especial, sendo o primeiro incluído na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco durante a 46ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial em Nova Delhi, na Índia, prevista para julho de 2024.
O Parque Nacional de Iguaçu, por sua vez, foi inscrito na Lista do Patrimônio Mundial em 1986 e é conhecido por sua rica biodiversidade, que abriga mais de 2.000 espécies de plantas, 400 espécies de aves e até 80 mamíferos, além de diversas espécies de invertebrados. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima informa que o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é lar de quatro espécies ameaçadas de extinção: o guará, a lontra-neotropical, o gato-do-mato e o peixe-boi-marinho. Estudos indicam que a área abriga aproximadamente 133 espécies de plantas, 112 espécies de aves e pelo menos 42 espécies de répteis.
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Apesar da queda de 73% nas populações de animais selvagens em todo o mundo desde 1970, as populações que habitam as áreas protegidas pela Unesco mantêm-se relativamente estáveis. Um quarto desses sítios, onde mais de mil línguas são faladas, pertencem a territórios de povos indígenas. O relatório "People and Nature in Unesco Sites: Global and Local Contributions" avalia, pela primeira vez, todas as categorias da Unesco que englobam Sítios do Patrimônio Mundial, Reservas da Biosfera e Geoparques Mundiais, representando mais de 2.260 sítios que abrangem uma área superior a 13 milhões de quilômetros quadrados, área maior do que a da China e Índia juntas.
O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, afirma que os sítios protegidos demonstram a possibilidade de coexistência entre pessoas e natureza. Os benefícios são evidentes: desde a estabilização das populações de animais selvagens em contraste com o declínio global até o sucesso em ações de conservação, como a recuperação de gorilas-das-montanhas em regiões afetadas por conflitos. Esses locais exemplificam o que pode ser alcançado com uma proteção sustentada ao longo do tempo, apoiada pelas comunidades locais.
O relatório, fruto de uma parceria com mais de 20 instituições de pesquisa de destaque, enfatiza a importância de aprimorar a estratégia de prosperidade entre as populações e o meio ambiente, reconhecendo os Sítios da Unesco como ativos essenciais para enfrentar os desafios ambientais e sociais no mundo. A proteção desses territórios é vista como um investimento crucial para garantir a preservação de ecossistemas únicos, culturas vivas e os meios de subsistência de centenas de milhões de pessoas ao longo das gerações futuras.