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Sistema penitenciário é visto como oportunidade de mercado pelas operadoras de telefonia

O secretário de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Antônio Carlos Videira, discute a atuação de facções criminosas nos presídios e a necessidade de investimentos em tecnologia.
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O secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Antônio Carlos Videira, destacou que as operadoras de telefonia celular percebem o sistema penitenciário como um nicho de mercado. Essa constatação reflete um dos principais desafios no combate ao Crime Organizado, que é impedir que facções criminosas operem de dentro dos presídios utilizando celulares para aplicar golpes. Durante uma entrevista, Videira comentou sobre o impacto do avanço tecnológico na ação de criminosos e enfatizou a importância de investir em bloqueadores de sinal, inteligência policial e uma maior integração entre os órgãos de fiscalização.

Além de discutir a situação do sistema prisional, o secretário também mencionou que Mato Grosso do Sul apresenta uma das menores taxas de criminalidade do país. Os dados revelam uma redução significativa nos índices de roubos desde 2019, quando foram registrados 2.565 casos. Em 2020, esse número caiu para 741 ocorrências, e os registros continuam a diminuir. Até maio deste ano, o Estado já havia alcançado os melhores números da série histórica, incluindo a ausência de latrocínios em 2023.

Videira atribui esses resultados ao investimento contínuo em Segurança Pública, à transparência na divulgação de dados e à adoção de tecnologias nos presídios. Ele também ressaltou as políticas de prevenção e combate à violência doméstica, nas quais o Estado se tornou referência nacional, especialmente pela agilidade na concessão de medidas protetivas. Essa abordagem tem atraído a atenção do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que planeja expandir o modelo para outras regiões do Brasil.

O secretário destacou que a sensação de segurança em Mato Grosso do Sul é palpável, permitindo que os cidadãos circularem com mais tranquilidade nas ruas. Em Campo Grande, por exemplo, é comum ver pessoas usando celulares sem receio. Ele observou que a percepção de insegurança está intimamente ligada ao clamor público, e os dados recentes corroboram a sensação de segurança crescente entre a população.

Videira também comentou sobre os desafios culturais que ainda persistem na sociedade. Apesar dos avanços, ainda se observa uma cultura de submissão que pode levar a episódios de violência doméstica. Um exemplo alarmante foi o caso de um homem que assassinou sua companheira de mais de 50 anos simplesmente porque ela começou a contestá-lo. Essa situação ilustra a necessidade de continuar o trabalho de conscientização e mudança cultural em relação à violência contra a mulher.