Nesta terça-feira (26), representantes de diversos setores produtivos de São Paulo se reuniram com Davi Alcolumbre, presidente do Senado. O objetivo do encontro foi discutir a possibilidade de adiar o fim da escala 6×1, uma preocupação manifestada pelos empresários liderados por Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Eles expressaram receio sobre os impactos negativos que a redução da jornada de trabalho pode trazer para os negócios.
A reunião ocorre após a apresentação de um relatório pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA) na segunda-feira (25), que trata de duas Propostas de Emenda à Constituição visando a extinção da escala 6×1. O texto sugere que a carga de trabalho semanal máxima seja de 40 horas, sem que haja redução salarial. Para implementar essa mudança, está previsto um período de transição de 14 meses.
Em Brasília, há expectativa de que a proposta seja votada pela comissão especial e, na sequência, pelo plenário ainda nesta semana, conforme mencionado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A votação estava inicialmente agendada para ocorrer no mesmo dia da apresentação do relatório, mas um pedido de vista adiou a discussão para quarta-feira (27). Para que a proposta avance ao Senado, são necessários 308 votos favoráveis em dois turnos Na Câmara.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também se envolveu na discussão, criticando a postura do empresariado em relação às mudanças trabalhistas. Em uma entrevista concedida à TV Brasil na última sexta-feira (22), Lula comparou a resistência dos empresários à abolição da escravidão, ocorrida em 1888, e afirmou que a atual mentalidade do setor é ultrapassada.
Lula salientou que a ideia de que a redução da jornada de trabalho causaria grandes prejuízos aos empresários não corresponde à realidade. Ele destacou que desde a redução da jornada em 1988, os avanços tecnológicos foram significativos e questionou quanto lucro essas inovações têm gerado para o empresariado.
Diante desse cenário, o debate sobre a escala 6×1 continua a gerar tensões entre os representantes dos trabalhadores e do setor produtivo, com implicações que podem afetar diretamente a dinâmica do mercado de trabalho no país.
