Na cozinha de Rozilei Anastácio Sanches Gimenez, cada prato é carregado de sabor e história. As receitas paraguaias que Rozi prepara são uma forma de manter viva a cultura da fronteira entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai, além de relembrar momentos da infância. Filha de pais nascidos em Porto Murtinho, ela cresceu cercada por pratos como vori vori, sopa paraguaia, chipa e o tradicional lambreado, que eram servidos por sua mãe, Odete, e sua avó, Dionísia, com raízes indígenas. "Era a comida do dia a dia, era o que tinha na mesa", relembra. Hoje, essas receitas ganharam um novo espaço no Mercado Escola da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), onde ela as vende todas as quintas-feiras.
O carro-chefe de Rozilei é o lambreado, um bife bovino envolto em uma massa semelhante a tortilha e frito até obter uma crosta dourada. "Na fronteira, costuma ser servido com mandioca e coquito. Aqui em Campo Grande, eu adaptei e incluí acompanhamentos como arroz e salada", explica. Outro prato emblemático é o vori vori, uma sopa espessa e saborosa, feita com caldo de ossos, legumes e bolinhas de fubá recheadas com queijo. A receita é trabalhosa e demanda paciência no preparo. "É comida feita devagar, para pegar gosto", enfatiza Rozi.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
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A forte conexão de Rozilei com a culinária surgiu de maneira inesperada. Durante 20 anos, ela trabalhou como manicure e começou a cozinhar em 2014, após um problema no joelho. "No início, contei com a ajuda da minha mãe e da minha sogra, Lucília, que me ensinaram os primeiros passos. Com o tempo, fui ganhando confiança, mas sempre mantendo minhas raízes", destaca. A cozinha se transformou em um elo com o passado, onde cada prato traz de volta lembranças da infância e da convivência familiar. "Quando estou cozinhando, parece que volto no tempo", compartilha a cozinheira.
A perda recente de seu pai, Rosalino, intensificou esse sentimento de nostalgia. Rozi recorda que ele era um grande apreciador de suas receitas e acompanhava de perto o preparo, especialmente do vori vori. Ao serem servidos, muitos clientes reconhecem os sabores e frequentemente se emocionam. "Tem gente que prova e lembra da mãe, da avó, e isso é muito legal", avalia. No entanto, ela expressa preocupação de que essa rica cultura possa se perder com o passar do tempo, especialmente entre as novas gerações. "Meus filhos ainda pegaram um pouco, mas os netos já não têm tanto contato", lamenta.
Em cada receita, Rozilei não apenas oferece pratos saborosos, mas também um pedaço da história da fronteira e dos costumes familiares. A feira do Mercado Escola, onde ela e outros expositores se reúnem, acontece todas as quintas-feiras, das 10h30 às 18h30, ao lado do Ginásio Moreninho, em Campo Grande.