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Repetição de erros fiscais remete a 2014 e gera preocupação no mercado

A contabilidade criativa do governo atual provoca um impacto fiscal significativo, relembrando os erros do passado. O levantamento aponta uma perda de R$215 bilhões, com a maior parte não afetando o resultado primário, mas aumentando a dívida pública.
Presidente Lula — Foto: Presidente Lula TON MOLINA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Presidente Lula — Foto: Presidente Lula TON MOLINA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Em 2014, a então presidente Dilma Rousseff afirmou que fariam o diabo para vencer as eleições. O resultado dessa estratégia foi a quebra do país, com a notável inversão do superávit primário, que passou de +1,5% do PIB para -0,5% do PIB. A situação foi agravada por um aumento de gastos, renúncias fiscais e a prática da contabilidade criativa, que ocultava diversas despesas do resultado primário do governo.

Atualmente, 12 anos após os eventos de 2014, o cenário se repete. Um levantamento realizado pelo economista Marcos Mendes, do Insper, revela que o impacto fiscal estimado para este ano será de R$215 bilhões, resultante de gastos e perda de receitas. O aspecto mais alarmante é que mais de R$200 bilhões desse total não impactam o resultado primário, evidenciando uma nova versão da contabilidade criativa que já foi utilizada no passado.

Embora o governo tente omitir certas despesas ao excluir empréstimos, financiamentos subsidiados e a abertura de crédito extraordinário do cálculo do resultado primário, a realidade é que as dívidas continuam a crescer. Essa abordagem pode não afetar diretamente o resultado primário, mas resulta em um aumento do endividamento e do resultado nominal, que considera todas as variáveis financeiras.

O mercado financeiro, atento a essas manobras, demonstra desconfiança. Os investidores exigem taxas de juro real superiores a 8% para emprestar recursos ao Tesouro Nacional, refletindo a preocupação com a saúde fiscal do país. Essa situação levanta questões sobre a sustentabilidade das políticas fiscais adotadas e os possíveis desdobramentos para a economia brasileira.

Com a repetição de erros do passado, a necessidade de uma gestão fiscal responsável se torna ainda mais urgente, a fim de evitar que os problemas enfrentados em 2014 se tornem parte da realidade atual. O desafio agora é encontrar um equilíbrio que permita ao governo conduzir suas políticas sem comprometer a estabilidade financeira do país.