O Dia das Mães é tradicionalmente celebrado com flores, homenagens e representações de felicidade plena. Contudo, existe um aspecto menos visível da maternidade que merece atenção: o momento em que uma mulher não se reconhece mais diante do espelho. Essa transformação não diz respeito apenas ao corpo, mas envolve mudanças de ritmos, desejos e prioridades, além da maneira como ela ocupa seu espaço no mundo.
Peças do guarda-roupa, que antes eram uma extensão de sua personalidade, podem se tornar estranhas. Algumas roupas deixam de servir fisicamente, enquanto outras não fazem mais sentido emocionalmente. Uma das maiores complexidades da maternidade reside na compreensão de que ela não devolve a mulher que existia antes; ao contrário, inaugura uma nova versão dela. Existe, no imaginário coletivo, uma expectativa quase cruel em relação à figura da mulher-mãe, que deve ser bonita, produtiva e equilibrada, além de recuperar rapidamente sua antiga forma.
Entre o ideal romantizado das celebrações e a realidade do puerpério, há uma travessia emocional significativa. Essa jornada também se reflete nas escolhas de vestuário, uma vez que a moda, frequentemente vista como superficial, é uma ferramenta íntima de construção da identidade. A seleção de roupas vai além do aspecto físico; é uma forma de comunicação e pertencimento. Quando uma mulher sente que perdeu seu estilo após a maternidade, ela não apenas perde uma estética, mas também uma referência de si mesma.
Gabriela Rosa, que compartilha suas experiências como mãe, observa que muitas mulheres sentem culpa ao desejarem cuidar de sua aparência e bem-estar. Essa sensação pode levar à crença de que o autocuidado é um ato egoísta. No entanto, reencontrar a própria imagem é um processo de reconexão com identidades anteriores, sem que isso seja interpretado como um fracasso. Algumas roupas podem deixar de servir porque certas identidades também não se ajustam mais, e essa mudança pode ser vista como algo belo.
Neste Dia das Mães, mais do que flores ou presentes, é crucial que muitas mulheres se sintam autorizadas a mudar, desacelerar e experimentar novas versões de si mesmas sem se sentirem culpadas. O estilo pessoal não desaparece após a maternidade, mas amadurece junto com a mulher. Para auxiliar nesse reencontro com a própria imagem, algumas dicas podem ser úteis: reorganizar o guarda-roupa sem apego ao corpo anterior, priorizar o conforto sem abrir mão da expressão pessoal, criar combinações que facilitem a rotina e aumentem a sensação de pertencimento, e evitar compras impulsivas durante períodos de transição emocional.
Buscar referências de mulheres reais em diferentes fases da maternidade e considerar consultorias de imagem focadas na identidade, ao invés de padrões impostos, também podem ser estratégias eficazes. Finalmente, reservar momentos de autocuidado é essencial, pois vestir-se pode ser uma forma de carinho consigo mesma.
