Os protestos no Irã ainda têm um desfecho incerto, mas um fator os torna diferentes dos anteriores contra o regime dos aiatolás. Os protestos foram motivados pela crise econômica no Irã, com desvalorização da moeda local e inflação dos alimentos.
O histórico complexo comercial na capital iraniana, o Grande Bazar de Teerã, simboliza a força do comércio iraniano e apoiou financeiramente o movimento radical islâmico que derrubou o xá Mohammad Reza Pahlavi em 1979. Os comerciantes do Bazar realizaram anteriormente atos contra o regime islâmico, mas os protestos na virada de 2025 para 2026 são a primeira vez que um grande movimento do Bazar mira fortemente o governo dos aiatolás.
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Ali Khamenei, líder supremo do Irã, afirmou que os comerciantes seguem fiéis ao regime e sugeriu que agentes externos estariam tentando se aproveitar de insatisfações pontuais do Bazar. No entanto, um pesquisador do Instituto Internacional de História Social disse que os comerciantes estão realmente se voltando contra o regime, porque nos últimos 20 anos a posição econômica do Bazar foi corroída pelo favoritismo estatal em relação à máquina econômica da Guarda Revolucionária Islâmica e às grandes fundações religioso-revolucionárias.
Um comerciante do Grande Bazar de Teerã disse que estão passando por dificuldades, não conseguindo importar mercadorias por causa das sanções dos EUA e porque somente a Guarda Revolucionária ou pessoas ligadas a ela controlam a economia. O pesquisador alertou que o Bazar, que antes funcionava como uma força estabilizadora do governo do Irã, perde cada vez mais esse papel.