O Sindicato Rural de Miranda e Bodoquena refutou a ideia de que teria organizado a mobilização que levou à suspensão da consulta pública sobre a criação do Revis (Refúgio de Vida Silvestre) Delta do Salobra, realizada na última quarta-feira (17) na Prefeitura de Bodoquena. A entidade classificou a presença de agricultores, trabalhadores e moradores da região como uma manifestação espontânea de indivíduos que seriam diretamente afetados pela proposta.
A consulta pública, convocada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), tinha como objetivo apresentar e discutir os estudos técnicos relativos à nova unidade de conservação, que deve abranger mais de 60 mil hectares nos municípios de Miranda, Bodoquena e Corumbá. O evento foi cancelado devido à superlotação do auditório, que comportava cerca de 250 pessoas, mas recebeu um público superior a 350, levando a Prefeitura de Bodoquena a suspender a reunião por motivos de segurança.
Após a interrupção da audiência, uma professora relatou ter enfrentado intimidações ao tentar se manifestar, mencionando um ambiente de tensão e desentendimentos entre os participantes. Em sua nota, o sindicato expressou desapontamento com a gestão do ICMBio em relação ao processo e ressaltou que os produtores não devem ser responsabilizados pelo cancelamento do evento.
A entidade enfatizou que as discussões deveriam focar nas incertezas sobre os impactos que a criação do refúgio pode trazer para propriedades privadas, atividades produtivas e o futuro das famílias que habitam a região há gerações. Embora reconheça que o modelo de Refúgio de Vida Silvestre permite, em tese, a manutenção de propriedades privadas e a continuidade de atividades compatíveis com a conservação ambiental, o sindicato manifestou preocupações legítimas sobre possíveis restrições ao uso da terra, investimentos, acesso ao crédito rural e direitos de propriedade.
Os representantes do sindicato afirmaram que os produtores rurais não são contrários à preservação ambiental. Eles já realizam ações de conservação, como a preservação de nascentes, matas ciliares e áreas de preservação permanente, respeitando a legislação ambiental vigente. O que se questiona, segundo a nota, é a tentativa de avançar com uma proposta de grande impacto sem um debate adequado, transparência e garantias claras para os proprietários afetados.
A criação de uma unidade de conservação que abranja mais de 60 mil hectares poderia impactar não apenas os proprietários, mas também trabalhadores, empresas, fornecedores, prestadores de serviços e a economia local. O sindicato defende que iniciativas de conservação sejam discutidas de maneira transparente e democrática, respeitando os direitos dos produtores e das comunidades locais.
