A Polícia Civil de São Paulo deu início à Operação Agulha Oculta, que investiga um suposto esquema de importação ilegal de versões falsificadas do medicamento emagrecedor Mounjaro. As investigações apontam que as canetas, trazidas do Paraguai, eram revendidas clandestinamente em São Roque, cidade localizada a cerca de 60 quilômetros da capital paulista. Entre os alvos da operação estão Ana Laura Esquitini, chefe da Divisão de Serviços Administrativos da prefeitura de São Roque, e seu marido, Luciano do Espírito Santo, coordenador legislativo da Câmara Municipal da cidade.
Ana Laura foi presa em flagrante no dia 1.º de outubro, após a polícia encontrar 22 ampolas de tirzepatida, substância ativa em medicamentos para emagrecimento, em sua residência. Ela foi liberada no mesmo dia, após o pagamento de fiança no valor de R$ 3 mil. As investigações indicam que os produtos eram adquiridos no Paraguai, entravam no Brasil de forma irregular e eram armazenados na casa do casal, localizada no Jardim Trindade.
Os policiais que participaram da operação descobriram indícios de que os medicamentos estariam sendo comercializados, com informações sobre preços, métodos de pagamento e a utilização de máquinas de cartão para facilitar as transações. Durante o cumprimento dos mandados, além das ampolas de tirzepatida, foram apreendidos diversos celulares, seringas, embalagens e uma máquina de cartão.
Em nota, a prefeitura de São Roque comunicou que está acompanhando de perto o desdobramento do caso e que aguardará a conclusão das investigações. A Administração Municipal afirmou que, dependendo dos resultados, avaliará a necessidade de tomar medidas administrativas apropriadas.
Em depoimento, Ana Laura revelou que iniciou o uso dos medicamentos há cerca de um ano, após atingir 105 quilos, com recomendação médica. Ela admitiu que costumava viajar ao Paraguai para adquirir cosméticos e perfumes para revenda e que, sem receita médica, comprou ampolas da substância para uso próprio e do marido. Ana Laura também confessou ter vendido algumas unidades para amigas e conhecidas. Luciano, por sua vez, informou que a companheira começou o tratamento devido a problemas de obesidade e que o casal viaja ao Paraguai a cada três meses para comprar produtos, incluindo os medicamentos com tirzepatida, que seriam para uso deles dois.
