A manhã desta terça-feira (7) foi marcada pela prisão de Jéssica Burgatt, filha de Ed Carlos Britto Burgatt, que ocupa a função de coordenador estadual de Regulação Assistencial da Secretaria de Estado de Saúde (SES). A detenção ocorreu durante a Operação Gutenberg, que foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Jéssica foi levada ao Segundo Distrito Policial, localizado em Campo Grande, após o cumprimento de um mandado de prisão preventiva.
Além de Jéssica, outras duas mulheres também foram presas: Olívia Jafar, que tem vínculos com a Gráfica Alvorada, e sua mãe, Rossana Jafar. Rossana foi detida ao longo da operação, enquanto Olívia foi capturada na Rua Ricardo Brandão, na capital, nas primeiras horas do dia. As investigações se concentram em uma organização criminosa suspeita de fraudar contratos públicos para a aquisição de livros paradidáticos, utilizando a influência de servidores da saúde para obter vantagens financeiras.
Entre os alvos da operação está Ed Carlos Britto Burgatt, que desempenha um papel importante como coordenador da Regulação Assistencial da SES. As Equipes do Gaeco, com suporte do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), realizaram mandados de busca e apreensão no Complexo Regulador Estadual (Core). A Operação Gutenberg abrange o cumprimento de 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em diversas localidades, incluindo Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, além de São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).
De acordo com informações do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a organização criminosa estaria utilizando a influência de servidores públicos da saúde para condicionar a autorização de exames, cirurgias e vagas em hospitais à compra de livros comercializados pelo grupo investigado. As apurações revelaram que os envolvidos fraudavam procedimentos de contratação direta, evitando licitações para direcionar a aquisição de livros por órgãos públicos.
O MPMS destaca que o grupo recebeu mais de R$ 27 milhões dos cofres públicos, quantia que era distribuída entre servidores públicos e demais indivíduos, com o intuito de ocultar a origem ilícita dos recursos. Além de Ed Carlos Britto Burgatt, a operação também mira o ex-prefeito de Fátima do Sul, Junior Vasconcelos, que atualmente é chefe de gabinete do deputado estadual Jamilson Name, e contra quem um mandado foi expedido no contexto da investigação.
