A Polícia Federal (PF) está investigando a atuação política do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), em transferências que totalizam R$ 3 bilhões do Rioprevidência para fundos de investimento vinculados ao Banco Master. A operação que visa apurar essas movimentações financeiras ocorreu na manhã desta terça-feira (26), com a execução de um mandado de busca e apreensão na oitava fase da Operação Compliance Zero. A PF aponta que Castro mantinha um "vínculo próximo" e um "alinhamento político" com o banqueiro Daniel Vorcaro, conforme descrito no pedido feito ao Supremo Tribunal Federal (STF) para a autorização das diligências.
O ministro do STF, André Mendonça, que autorizou a operação, ressaltou que Cláudio Castro desempenhou um papel politicamente relevante na viabilização dos investimentos do Rioprevidência no Banco Master. Os documentos da PF mencionam a "sincronização" entre os encontros entre Castro e Vorcaro e os aportes financeiros subsequentes do Regime Próprio de Previdência Social. Conversas encontradas no celular de Vorcaro indicam que a liberação de determinados investimentos estava condicionada ao alinhamento político com o ex-governador.
O fundo de previdência dos servidores fluminenses, o Rioprevidência, já investiu R$ 970 milhões em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central e é suspeito de operar com créditos de alto risco. Esses títulos representam empréstimos que investidores realizam à instituição, sem a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Além disso, a PF está investigando aplicações que somam R$ 2,01 bilhões em fundos de investimento relacionados ao Banco Master a partir de julho de 2024, que são geridos por diferentes gestoras financeiras.
Com essas operações, o total de movimentações sob investigação pela PF chega a aproximadamente R$ 3 bilhões transferidos pelo Rioprevidência. Os investigadores destacam que a atuação de Castro e a sequência de investimentos no Banco Master são elementos centrais nas apurações. Além de Castro, outros alvos da operação incluem o lobista Ricardo Siqueira Rodrigues, o ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes, o ex-diretor de Investimentos Eucherio Lerner Rodrigues, e a ex-gerente de Auditoria e Controle Interno, Fernanda Pereira da Silva Machado.
A PF ressalta que a troca de integrantes na diretoria do fundo, a supressão de etapas técnicas no processo decisório e a falta de justificativas formais para as operações reforçam a suspeita de interferência política de Castro nas aplicações financeiras. Esta é a segunda vez em um intervalo de 11 dias que o ex-governador do Rio é alvo de operações da PF. No dia 15, no âmbito da Operação Sem Refino, que investiga a gestão de Castro em relação ao Grupo Refit, a Receita Federal identificou a organização como um dos maiores sonegadores de impostos do Brasil. Durante essa operação, os agentes apreenderam o celular e o tablet de Cláudio Castro.
