Após um período em que serviu como locação para o longa-metragem "Lydia", a Morada dos Baís, situada na Avenida Afonso Pena, reabriu suas portas ao público nesta semana. O espaço, que é um importante marco cultural em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, agora está disponível para visitação de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e aos sábados, das 8h às 12h. A reabertura visa proporcionar a moradores e turistas a oportunidade de conhecer mais sobre a história e a obra da artista Lídia Baís, uma figura icônica na cultura local.
Desde a segunda semana de maio, a Morada dos Baís foi utilizada para as filmagens de "Lydia", um filme de ficção produzido pela Pólofilme, que se inspira na obra literária "História de T. Lídia Baís", escrita pela artista em 1960 sob o pseudônimo de Maria Tereza Trindade. O Executivo da Cidade Morena destacou que, para atender às necessidades da produção, o edifício passou por adequações cenográficas que recriaram ambientes da época retratada no filme, despertando a curiosidade de quem passava pela Avenida Afonso Pena.
O longa-metragem, dirigido por Ricardo Câmara e co-dirigido por Mariana Villas-Bôas, mergulha na vida de Lídia Baís, explorando suas memórias e a singularidade de sua obra artística, desenvolvida em um contexto social que desafiava os padrões da época. Lídia, nascida em 1900, ficou à margem da história oficial da arte brasileira, realizando apenas uma exposição em 1929 no Rio de Janeiro. Sua produção artística, marcada por murais, textos e músicas, reflete uma linguagem própria que mescla espiritualidade, surrealismo e expressionismo.
A Morada dos Baís, onde a artista viveu e criou, torna-se um personagem central na narrativa do filme. Mariana Villas-Bôas, codiretora do projeto, enfatiza a importância simbólica e afetiva do espaço para a equipe de produção. "As paredes descascadas, os afrescos antigos, os objetos, tudo isso traz uma camada de tempo muito importante para o filme", afirmou. Ela ainda destacou que muitos elementos do cenário, que podem parecer surrealistas, são baseados em relatos reais sobre o cotidiano da artista, enriquecendo a narrativa com detalhes autênticos da vida de Lídia Baís.
