O presidente da Argentina, Javier Milei, rompeu com o discurso predominante no Mercosul ao defender a pressão dos Estados Unidos sobre a Venezuela em uma reunião a portas fechadas da cúpula do Mercosul. Milei sugeriu que os países do Mercosul acompanhem a estratégia norte-americana.
A posição de Milei contrastou diretamente com a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que usou sua intervenção para alertar sobre os riscos da escalada militar na América do Sul. Lula criticou a presença de forças estrangeiras na região e afirmou que o continente volta a conviver com ameaças externas décadas após o fim da Guerra das Malvinas.
Lula classificou uma eventual ação armada na Venezuela como um cenário de alto risco e defendeu esforços diplomáticos para evitar que o impasse evolua para um conflito armado. Antes das falas, Lula havia recomendado intervenções de até dez minutos, mas garantiu que não interromperia ninguém.
A posição de Milei e as declarações de Lula evidenciam o racha no Mercosul. Lula tem buscado assumir um papel de interlocutor diante da possibilidade de uma ofensiva militar entre EUA e Venezuela, tendo conversado por telefone com Trump e Nicolás Maduro no início de dezembro.
