Na terça-feira (16), a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul realizou uma operação que resultou na apreensão de mais de R$ 200 mil em dinheiro vivo na casa de um neurocirurgião, em Campo Grande. O médico é um dos alvos da "Operação Neuro Complexus", que apura um suposto esquema de fraude envolvendo ações judiciais para liberar verbas públicas destinadas a cirurgias de alta complexidade. De acordo com as investigações, o grupo é suspeito de ter desviado mais de R$ 6,5 milhões.
O delegado Alexandro Mendes de Araújo, da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), informou que foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão contra cinco investigados, incluindo três médicos, uma advogada e um policial aposentado, cujos nomes não foram revelados. A investigação revelou um padrão de superfaturamento nas cirurgias, que eram judicializadas com valores muito superiores aos praticados no mercado.
As apurações indicam que os suspeitos entravam com ações judiciais contra o governo de Mato Grosso do Sul para custear procedimentos neurológicos, aumentando os valores pedidos. O delegado destacou que os mesmos profissionais se repetiam nos processos, atuando tanto na elaboração de orçamentos quanto na execução das cirurgias e no recebimento dos recursos públicos.
Desde 2022, ao menos 40 ações judiciais foram protocoladas pela mesma advogada, solicitando bloqueios de verbas públicas para neurocirurgias consideradas urgentes. A Polícia Civil concluiu que o uso dessas ações tinha como objetivo garantir decisões que permitissem o desvio de recursos públicos.
Durante a operação, foram apreendidos não apenas dinheiro, mas também documentos, notebooks e celulares, visando reunir provas que confirmem as suspeitas de organização criminosa, estelionato contra a administração pública, fraude processual e lavagem de dinheiro. A operação contou com o suporte de várias delegacias especializadas, incluindo a Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestro (Garras) e a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos (Derf).
No caso da advogada, as diligências foram acompanhadas pela Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS). O nome da operação, Neuro Complexus, foi escolhido em razão da complexidade das neurocirurgias investigadas e da suposta estrutura montada pelos envolvidos para conseguir recursos públicos através de ações judiciais na área da saúde.
