Mato Grosso do Sul está se posicionando para ingressar no mercado global de créditos de carbono, com foco em duas unidades de conservação: o Parque Estadual Nascentes do Taquari e o Parque Estadual das Várzeas do Ivinhema. O secretário da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Artur Falcette, destacou a importância do edital de chamamento público que está em andamento, que busca desenvolver duas frentes principais: a comercialização de créditos de carbono oriundos da redução do desmatamento e a implementação de projetos de restauração ambiental.
De acordo com Falcette, o Estado tem demonstrado um compromisso significativo com a diminuição do desmatamento, resultando em um importante ativo ambiental. Uma análise da Comissão Nacional para Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (CONAREDD+), vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, revelou que Mato Grosso do Sul deixou de liberar aproximadamente 89 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera durante o período avaliado.
Com base nessa redução, o Estado recebeu autorização para iniciar o processo de certificação dos créditos de carbono, que poderão ser comercializados internacionalmente. O edital visa selecionar uma empresa experiente no mercado de carbono para liderar o investimento nesse processo, em um modelo que se assemelha a uma parceria público-privada (PPP).
Além dos créditos relacionados à redução do desmatamento, o edital também abrange iniciativas de restauração ambiental nas duas unidades de conservação mencionadas. Empresas privadas terão a oportunidade de investir na recuperação de áreas degradadas, promovendo a restauração da vegetação nativa, o que permitirá o sequestro de carbono da atmosfera e a geração de novos créditos.
Falcette enfatizou que, à medida que o Estado avança em direção a um desmatamento zero, a geração de créditos de REDD+ tende a diminuir, pois, ao se aproximar desse patamar, não haverá mais espaço para novas reduções. No entanto, o foco será a geração de créditos por meio da iniciativa privada, especialmente nas propriedades rurais, que possuem grande potencial para isso devido a práticas sustentáveis de produção.
O secretário observou que as propriedades rurais no Brasil, especialmente em Mato Grosso do Sul, têm um grande potencial para gerar créditos de carbono devido a práticas como plantio direto, integração lavoura-pecuária e o aumento da área destinada ao cultivo de eucalipto e citros. Embora os créditos de REDD+ tenham mostrado uma tendência de queda, os créditos gerados pela restauração ambiental e das áreas produtivas estão em ascensão. Falcette acredita que isso garantirá uma receita estável a longo prazo para o Estado no que diz respeito à agenda de carbono.
