O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a esperança de que os Estados Unidos adiem a implementação da nova sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, programada para entrar em vigor no dia 15 de julho. Em conversas com representantes dos setores produtivos, autoridades americanas sinalizaram a possibilidade de um adiamento, conforme informado por interlocutores.
No Palácio do Planalto, a avaliação é que o presidente Donald Trump já utilizou anteriormente a estratégia de adiar a aplicação de tarifas para facilitar negociações comerciais. Assim, o governo brasileiro considera que o setor empresarial deve liderar as ações para evitar a implementação do tarifaço.
Nesta segunda-feira (6), autoridades dos Estados Unidos se reunirão com representantes dos setores produtivos brasileiros para discutir a nova medida. O governo acredita que empresários poderão demonstrar às autoridades americanas que a sobretaxa não tem justificativa econômica e que a sua aplicação prejudicaria tanto empresas quanto consumidores nos dois países.
As tarifas adicionais são resultado de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei do Comércio dos Estados Unidos. O relatório do Escritório do Representante Comercial (USTR) menciona como razões para a sobretaxa supostas distorções relacionadas ao Pix, acordos comerciais preferenciais, etanol, além de questões como desmatamento, corrupção e pirataria.
O governo brasileiro tem contestado a adoção dessas tarifas, argumentando que a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre as importações dos EUA é de 2,7%, o que não justificaria o argumento de que as empresas norte-americanas seriam prejudicadas no acesso ao mercado brasileiro.
De acordo com projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a implementação da proposta de tarifaço de 25% dos EUA poderá impactar 31,6% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. Os segmentos que devem sofrer os maiores efeitos incluem máquinas e equipamentos, plásticos, calçados, pescados e crustáceos.
