Leilão do Cine Campo Grande revela conflitos entre preservação e desenvolvimento cultural

O leilão do Cine Campo Grande, último cinema de rua da capital, evidencia a disputa por memória coletiva e planejamento cultural em Mato Grosso do Sul.
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O leilão do Cine Campo Grande, o último cinema de rua da capital sul-mato-grossense, foi concluído com um lance de R$ 4.944.755,22, valor mínimo estipulado. A Prefeitura Municipal de Campo Grande não aprovou o projeto de reestruturação do espaço, alegando a falta de estacionamento subterrâneo como um dos principais impedimentos. No entanto, essa justificativa tem sido contestada por artistas e especialistas, que argumentam que cinemas de rua historicamente funcionam em áreas centrais, sem depender desse tipo de estrutura.

O Cine Campo Grande, inaugurado na década de 1980 e administrado pela Cinematográfica Araújo, foi um importante ponto de encontro na cidade. Localizado na Rua 15 de Novembro, o cinema atraía diversos públicos e se destacava por sua programação acessível. O fechamento em 2012 simbolizou a transição do consumo cultural para cinemas multiplex em shoppings, enquanto o Cine Campo Grande tornou-se um retrato do esvaziamento dos centros urbanos.

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Em 2013, o prédio foi adquirido pelo Sesc-MS com a intenção de transformá-lo em um centro cultural multifuncional, mas o projeto nunca foi concretizado. A falta de área para estacionamento foi novamente citada como entrave para a aprovação da obra. Anúncios sobre o andamento do projeto foram feitos nos anos seguintes, incluindo a afirmação em 2022 de que estaria pronto para ser executado até 2024, mas as obras não iniciaram.

Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) classificou o imóvel como ocioso, refletindo a inatividade e a falta de ação em relação ao potencial cultural do Cine Campo Grande.