Jet lag social: impacto do sono inadequado na rotina dos adolescentes

O jet lag social afeta mais de 80% dos adolescentes, conforme estudo da UFRGS, destacando a desconexão entre o relógio biológico e os horários escolares.
Pessoa dormindo — Foto: Pessoa dormindo - Foto: Pexels
Pessoa dormindo — Foto: Pessoa dormindo - Foto: Pexels

O fenômeno conhecido como jet lag social resulta de hábitos diários e pode ser intensificado pelo uso excessivo de dispositivos eletrônicos. Dormir tarde e ter dificuldades para acordar cedo são comportamentos comuns entre muitos adolescentes, que tentam compensar a falta de sono nos finais de semana. Essa condição é explicada pelo desalinhamento entre o relógio biológico e as exigências da vida cotidiana, como as obrigações escolares.

A neurologista Letícia Soster, do Einstein Hospital Israelita, explica que, diferentemente da insônia, o jet lag social não se relaciona à falta de sono, mas sim ao descompasso entre o tempo biológico e o social do indivíduo. Um estudo conduzido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) revelou que mais de 80% dos adolescentes analisados, totalizando 64 mil jovens entre 12 e 17 anos, apresentam algum nível de jet lag social. Os resultados da pesquisa foram divulgados na revista Sleep Health.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Resumo rápido gerado automaticamente

Clique no botão abaixo para gerar um resumo desta notícia usando inteligência artificial.

Gerar Resumo

O estudo aponta que a maioria dos adolescentes sofre uma perda crônica de sono durante os dias úteis, geralmente compensada nos fins de semana. Quanto maior a diferença entre os horários de sono durante a semana e no final de semana, maior o desalinhamento enfrentado, conforme observa a doutoranda Nina Martins, primeira autora da pesquisa e integrante do programa de pós-graduação em Cardiologia e Ciências Cardiovasculares da UFRGS.

Embora o jet lag social possa ocorrer em outras fases da vida, ele se torna mais evidente na adolescência devido a mudanças naturais no organismo. Os jovens tendem a dormir e acordar mais tarde, o que gera um conflito direto com os horários escolares, resultando em noites curtas durante a semana e tentativas de compensação nos finais de semana. Soster compara essa oscilação nos horários de sono ao efeito causado por viagens entre fusos horários, o que justifica a denominação do fenômeno.

Para minimizar o impacto do jet lag social, algumas mudanças na rotina podem ser benéficas. Manter horários de sono mais regulares, mesmo nos fins de semana, reduzir o uso de telas à noite e aumentar a exposição à luz natural pela manhã são algumas das recomendações. No entanto, o problema é amplo e vai além das escolhas individuais, configurando-se como uma questão de saúde pública, dado que mais de 80% dos adolescentes apresentam algum grau desse fenômeno.

O sono inadequado nessa fase da vida pode impactar negativamente o aprendizado, a saúde mental e o metabolismo dos jovens. Assim, é fundamental ampliar a discussão sobre a importância do sono na adolescência. Martins enfatiza a necessidade de promover hábitos de sono mais saudáveis e de considerar como as rotinas sociais são organizadas, para que se leve em conta o ritmo biológico dos adolescentes, buscando assim promover saúde e bem-estar.