As investigações da Polícia Federal (PF) em Mato Grosso do Sul sobre um extenso esquema de venda de decisões judiciais permanecem em curso, apesar da conclusão de um dos inquéritos relacionados à Operação Ultima Ratio. O relatório final, assinado pelo delegado Marcos André Araújo Damato em 20 de março deste ano, refere-se ao inquérito de número 1.483, mas outro inquérito, o de número 1.595, que investiga desdobramentos do esquema, ainda está ativo.
O delegado Damato, que atua na Delegacia Especializada de Combate à Corrupção e Crimes Financeiros (Deccor) da Superintendência da Polícia Federal, informou que as investigações continuam devido ao compartilhamento de informações entre os dois inquéritos. O relatório final do inquérito 1.483 considera que a materialidade e a autoria dos crimes foram comprovadas, permitindo a propositura de ação penal pelo Ministério Público Federal (MPF), enquanto as apurações do inquérito 1.595 seguem adiante.
O inquérito 1.595 tem como alvo desembargadores envolvidos no esquema, além de advogados e outros participantes que facilitaram a corrupção. Alguns indivíduos que não foram indiciados no inquérito 1.483 demonstraram alívio, mas podem não estar cientes de que as investigações ainda estão em andamento. A advogada Camila Cavalcanti Bastos, filha do desembargador Alexandre Aguiar Bastos, expressou sua frustração ao afirmar que sua vida foi drasticamente afetada e sua reputação manchada ao longo de 18 meses.
O relatório final do inquérito 1.483 resultou em indiciamentos significativos. Entre os indiciados estão os desembargadores Divoncir Schreiner Maran Junior e Marcos José de Brito Rodrigues, ambos acusados de corrupção passiva. O juiz de 1ª instância Paulo Afonso de Oliveira também foi incluído nas acusações, assim como diversos advogados, incluindo Renata Gonçalves Pimentel e Rodrigo Gonçalves Pimentel, que estão entre os principais alvos da operação.
Outros indiciados incluem Danillo Moya Jeronymo, ex-servidor do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, e empresários como Diego Moya Jeronymo e Everton Barcellos de Souza. A lista de indiciados é extensa e abrange uma variedade de indivíduos, destacando a profundidade do esquema de corrupção que a Operação Ultima Ratio visa desmantelar. O inquérito 1.595, por sua vez, continua a investigar novas evidências e possíveis conexões entre os envolvidos no caso.
