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Investigação da Abin foca no tráfico de pessoas em Corumbá

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) intensificou suas investigações sobre o tráfico de pessoas em Corumbá, que alicia bolivianos para trabalhar em fábricas clandestinas em São Paulo. O dossiê de 80 páginas revela a complexidade da situação e o envolvimento de organizações criminosas.
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A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) anunciou que está investigando o tráfico de pessoas que parte de Corumbá, em Mato Grosso do Sul. O órgão identificou que grupos organizados têm recrutado cidadãos bolivianos para trabalhos em fábricas clandestinas localizadas em São Paulo. A rota utilizada, que atravessa a fronteira brasileira, é uma das mais antigas do país, com ônibus clandestinos facilitando o deslocamento dos migrantes.

Um dossiê inédito, com 80 páginas, foi elaborado pela Abin e intitulado "Contrabando de Migrantes no Brasil: uma análise de inteligência". Este documento foi desenvolvido em parceria com a ONU Migração – Organização Internacional para as Migrações no Brasil (OIM) – e a Casa Civil do governo federal. Cândida Souza, diretora de Promoção dos Direitos Humanos no Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), destacou a importância do documento para a formulação de políticas públicas no combate ao contrabando de imigrantes.

Desde 2022, o Correio do Estado tem abordado a problemática do tráfico de pessoas em sua cobertura. A rota a partir de Corumbá está ligada a uma série de crimes que envolvem organizações criminosas. O relatório da Abin indica que as atividades ilícitas incluem Contrabando de Migrantes, tráfico internacional de pessoas e trabalho em condições análogas à escravidão, apresentando um desafio significativo para as autoridades na diferenciação e persecução dos crimes.

As investigações revelaram que a rede de aliciadores é composta tanto por brasileiros quanto por bolivianos, e, devido à alta lucratividade dos crimes, outras nacionalidades começaram a se envolver. As promessas de oportunidades de trabalho são frequentemente veiculadas em anúncios irregulares, além de serem usadas autorizações de transporte como atrativo para cooptar migrantes.

O esquema também conta com a presença de olheiros, que monitoram possíveis fiscalizações em locais estratégicos, como as cabriteiras e o Posto Esdras. A análise de inteligência realizada pela Abin é vista como uma contribuição essencial para o debate e a tomada de decisões sobre o tema. Michelle Barron, chefe de programas da OIM no Brasil, ressaltou que o crime organizado traz sérios danos físicos e sociais, especialmente às mulheres e meninas, que estão sujeitas a violências de gênero e sexual.

Entre 20 de janeiro e 23 de fevereiro, a Polícia Federal em Corumbá conseguiu identificar sete pessoas ligadas à promoção de migração ilegal de bolivianos com destino a São Paulo. Durante as operações, cerca de 100 pessoas foram identificadas como migrantes ilegais, evidenciando a gravidade da situação e a necessidade de uma resposta coordenada das autoridades.