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Impacto das novas tarifas dos EUA pode atingir US$ 14,9 bilhões nas exportações brasileiras

A Confederação Nacional da Indústria projeta que a aplicação de novas tarifas pelos EUA afetará 4.187 produtos brasileiros, resultando em perdas significativas nas exportações. As audiências sobre as sobretaxas ocorrem nesta semana.
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A aplicação de novas tarifas pelos Estados Unidos pode ter um impacto significativo nas exportações do Brasil, conforme estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A entidade projetou que 4.187 produtos brasileiros seriam afetados, totalizando uma perda estimada de US$ 14,9 bilhões. O prazo para a definição sobre a implementação das sobretaxas se encerra em 15 de julho.

Atualmente, todos os produtos mencionados já estão sujeitos a uma tarifa adicional temporária de 10%, conforme a Seção 122 da legislação comercial dos EUA, que permanecerá em vigor até 24 de julho. Nesta semana, estão programadas audiências públicas que discutirão duas novas tarifas que podem incidir sobre os produtos brasileiros. A primeira investiga a imposição de uma sobretaxa de 25% especificamente direcionada ao Brasil, enquanto a segunda, que aborda questões de trabalho forçado, pode resultar em uma taxa de 12,5%.

Caso essas novas propostas sejam adotadas, a carga tributária sobre os bens brasileiros poderá aumentar em 27,5 pontos percentuais. Dentre os produtos que seriam afetados, 62% são classificados como bens intermediários, utilizados como insumos na produção de outras mercadorias, elevando a taxa contra o Brasil para 37,5%.

Entre os principais produtos que o Brasil fornece ao mercado norte-americano e que podem sofrer as novas tarifas, o país é o principal fornecedor em 11 categorias, o que destaca a relevância das exportações brasileiras para os Estados Unidos.

Ricardo Alban, presidente da CNI, alertou que a imposição de novas tarifas elevará os custos não apenas para as empresas brasileiras, mas TAMBÉM para consumidores e cadeias produtivas nos Estados Unidos. Ele enfatizou que o aumento das tarifas poderia comprometer uma relação comercial estabelecida ao longo de décadas, prejudicando indústrias de ambos os países. Alban descreveu as tarifas adicionais como “exagero” e expressou a expectativa de que o déficit comercial do Brasil com os EUA possa facilitar a reversão das taxas.

“É fundamental manter o diálogo e esperar que o governo consiga conduzir essa questão de maneira técnica, considerando as complexidades geopolíticas envolvidas”, afirmou Alban.