O grupo, intitulado ‘INFO – BRB’, contava com a participação de Vorcaro, Alberto Félix, que era superintendente da tesouraria do Banco Master, e Ângelo Silva, diretor financeiro na época. As mensagens trocadas entre os membros evidenciam como Vorcaro direcionava seus subordinados na criação de documentos fraudulentos que seriam enviados ao BRB.
Ao longo da investigação, foi apurado que o BRB havia realizado aportes de pelo menos R$ 12 bilhões no Banco Master, quantia que representava uma tentativa de Vorcaro para reverter a crise financeira enfrentada pela instituição. As conversas encontradas nos celulares de Vorcaro reforçam a ideia de que ele e outros executivos do Banco Master estavam diretamente envolvidos na elaboração de documentos falsificados.
Em uma das mensagens, datada de 23 de junho de 2025, Vorcaro cobrou de Félix um extrato sobre carteiras de crédito vinculadas à empresa Tirreno, que a investigação identificou como uma empresa de fachada. Ele demonstrou descontentamento ao receber o documento, apontando uma discrepância de R$ 800 milhões em relação aos R$ 7,2 bilhões que esperava. O valor apresentado ao BRB era de R$ 6,6 bilhões, bem abaixo do que havia sido discutido no grupo.
Em 13 de maio de 2025, Vorcaro também enviou uma lista de inconsistências relacionadas às carteiras de crédito que foram vendidas ao BRB. Ele destacou que faltavam documentos como o reconhecimento em cartório dos contratos e os comprovantes de averbação. Félix, em resposta, afirmou que resolveria a questão burocrática, mas depois admitiu que estava enfrentando dificuldades para reconhecer as firmas dos documentos.
A situação se agravou quando, semanas depois, Vorcaro voltou a cobrar a entrega dos documentos necessários para atender as exigências do BRB. Félix informou que ainda aguardava a emissão de contratos que permitiriam ao Banco Master emitir créditos em nome de outras empresas, o que, segundo a PF, era uma estratégia para dar aparência de legalidade às fraudes.
Além disso, em março de 2025, o Banco Central (BC) já havia levantado questionamentos sobre a falta de documentação e o volume anormal de créditos negociados com o BRB. A PF detalhou que o BC havia identificado inconsistências também nos rendimentos financeiros apresentados pelo Banco Master em um documento datado de 23 de junho, o que levantou ainda mais suspeitas sobre a operação da instituição financeira.
