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Gleice Jane questiona autonomia parlamentar após convênio de R$ 7 milhões com a Fiems

A deputada Gleice Jane (PT) critica a blindagem de Gerson Claro à Fiems e pede transparência sobre convênio de R$ 7 milhões. A entidade é investigada por fraudes e a parlamentar busca respostas sobre o uso do recurso público.
Deputada Gleice Jane, do PT-MS. (Foto: Vinicios Araújo, Midiamax)
Deputada Gleice Jane, do PT-MS. (Foto: Vinicios Araújo, Midiamax)

A deputada estadual Gleice Jane, do PT, manifestou preocupação com a autonomia da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul após a blindagem do presidente da casa, Gerson Claro, em relação à Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems). A parlamentar questiona a falta de transparência sobre um convênio de R$ 7 milhões, que foi articulado pelo ex-secretário da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, que é pré-candidato.

Gleice já teve dois requerimentos de informação indeferidos por Claro, nos quais solicita esclarecimentos sobre os recursos públicos que são repassados à Fiems. A entidade está sob investigação pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) por suspeitas de fraudes contratuais. O presidente da Fiems, Sérgio Longen, é um empresário que enfrenta investigações da Polícia Federal e teve bens bloqueados desde a operação Fantoche, realizada em 2019.

“A população é quem está pagando esse recurso. Os R$ 7 milhões saíram do bolso do povo. Então, com a blindagem de Claro, o povo não vai saber, não tem resposta sobre esses questionamentos, sobre o que a Fiems está fazendo com o dinheiro público”, afirmou a deputada.

Gleice criticou a manobra de Gerson Claro, ressaltando que os obstáculos impostos aumentam as dúvidas sobre a aplicação regular dos recursos já transferidos à Fiems. “À medida que eu não tenho respostas, eu tenho mais dúvidas. Porque se eu não estou sabendo o que está acontecendo, se estou sendo impedida de ter a resposta, isso me traz mais questionamentos. Por qual motivo eu não posso saber o que tem por trás disso?”, indagou a parlamentar, que também requisitou do novo secretário, Artur Falcette, a apresentação do plano de trabalho do convênio.

A deputada revelou que esse plano foi prometido por Falcette em uma reunião fechada na presidência da Assembleia Legislativa em 20 de maio, mas até o momento, nenhum documento foi enviado aos parlamentares. “Nós vamos ter que ver as medidas que podem ser feitas agora, se judicializa isso ou não. Já que nós não estamos conseguindo obter informações sobre recursos do povo, a população tem que saber. O que a gente quer é acesso às informações sobre o dinheiro do povo”, concluiu Gleice.