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Gangue feminina que aterrorizou as Moreninhas é lembrada como lenda urbana

Conhecidas como 'Gatas Selvagens', as jovens que atuaram nas Moreninhas Na década de 1980 deixaram marcas de respeito e temor entre os moradores. O grupo, formado por adolescentes, se destacou por defender as mulheres e impor respeito na comunidade.
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Na década de 1980, o bairro Moreninhas, em Campo Grande, viu surgir um grupo de jovens mulheres que se tornaria uma lenda urbana local. Conhecidas como "Gatas Selvagens", essas adolescentes e jovens, com idades geralmente entre 15 e 18 anos, conquistaram tanto a fama quanto o respeito dos moradores da região. O morador Roberto da Silva Alcantud, de 51 anos, recorda que o grupo era considerado a versão feminina das gangues masculinas, unindo-se sempre para se proteger e impor respeito. "Era a gangue das mulheres. Se tivesse problema com uma, todas estavam juntas. Elas impunham respeito, tinham moral dentro do bairro", lembrou Roberto.

O número de integrantes variava, mas era comum ver grupos de 10, 12 ou até 15 meninas circulando juntas. Apesar de sua reputação intimidadora, Roberto destaca que as Gatas Selvagens não buscavam brigas desnecessárias. "Elas não iam atrás de briga à toa. Mas se tivesse discussão ou alguém mexesse com uma delas, o grupo todo aparecia", afirmou. O visual das integrantes, com roupas como top cropped e shorts curtos, além de cabelos volumosos, chamava a atenção por onde passavam.

Cezar de Medeiros, de 55 anos, recorda que beleza e coragem eram características marcantes do grupo. "Era tudo bonita, mas não podia mexer. Se passasse do limite, elas agrediam mesmo. Tinha umas que brigavam igual homem", comentou. Para muitas mulheres da região, as Gatas Selvagens representavam uma forma de proteção em uma época em que a violência contra mulheres era frequentemente ignorada. Conceição Ramires, de 64 anos, observa que elas costumavam agir contra homens que agrediam suas parceiras. "Se soubessem que homem bateu em mulher, elas iam atrás. Pegavam mesmo. Eram a favor das mulheres", destacou.

Apesar da fama de "feras", muitas vezes o grupo atuava como defensoras, mais do que como agressores. "Não eram ruins à toa. Elas defendiam as mulheres", enfatizou Conceição. Contudo, o temor que as Gatas Selvagens geravam entre as adolescentes era palpável. Lucimar Nogueira França, de 57 anos, relembra que evitava passar perto do grupo. "A gente cortava a volta. Tinha medo mesmo. Elas causavam pânico", afirmou.

As histórias de brigas motivadas por ciúmes e disputas amorosas, além de confrontos em festas e escolas, contribuíram para a construção da reputação das Gatas Selvagens. Cristiane Conceição da Costa, de 49 anos, menciona que o nome do grupo era usado como um aviso entre os estudantes. "Na escola o povo dizia para tomar cuidado com as Gatas Selvagens", comentou. Embora a gangue tenha existido por um curto período, cerca de dois a três anos, conforme relatos dos moradores, seu impacto perdurou ao longo das décadas. Com o tempo, muitas integrantes seguiram outros caminhos e o grupo se desfez, mas a memória das Gatas Selvagens permanece viva na cultura popular. "Eram conhecidas e ficaram famosas", finalizou Conceição.