Investigação revela fábricas clandestinas que fornecem armamento pesado para facções criminosas.
Fábricas clandestinas em SP e MG abastecem o Comando Vermelho no Rio, revelando um esquema sofisticado de produção de armamento pesado.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
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Uma investigação exclusiva revelou que fuzis fabricados em fábricas clandestinas em São Paulo e Minas Gerais estão abastecendo o Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro. A Polícia do Rio de Janeiro realizou a maior apreensão de fuzis em uma única operação em favelas, encontrando 91 armas de calibres capazes de perfurar coletes à prova de balas.
A investigação aponta para um esquema sofisticado de fábricas clandestinas que alimentam o arsenal do Comando Vermelho. Imagens inéditas mostram como funcionava essa complexa rede de produção e distribuição.
Pelo menos uma vez por mês, Rafael Xavier do Nascimento transportava fuzis de São Paulo para o Complexo do Alemão e outras áreas do Rio. Ele foi preso em flagrante com 13 fuzis na Via Dutra. A Polícia Federal encontrou mensagens em seu telefone que o ligavam aos destinatários das armas.
Operação e Alcance
As armas eram produzidas em Santa Bárbara d’Oeste, SP, em uma fábrica que utilizava equipamentos industriais de precisão. A PF apreendeu cerca de 150 fuzis prontos e mais de 30 mil peças, com capacidade para fabricar até 3.500 fuzis por ano.
A fachada do crime era uma fábrica de peças aeronáuticas, pertencente ao piloto Gabriel Carvalho Belchior, que está foragido nos Estados Unidos.
A investigação também revelou que Silas Diniz Carvalho, já preso em 2023 com 47 fuzis, operava outra fábrica em Belo Horizonte. Estima-se que essa indústria clandestina forneceu cerca de mil fuzis para facções no Rio, Bahia e Ceará.
A Polícia Civil do Rio fará perícia nos fuzis apreendidos, e pelo menos 25 deles são do mesmo modelo fabricado em Santa Bárbara d’Oeste. O Instituto Sou da Paz aponta um aumento de 32% nas apreensões de fuzis no Rio entre 2019 e 2023.