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Fiscalização de Esportes Radicais em São Paulo: um Desafio Ignorado

A prática de Esportes Radicais em áreas públicas de São Paulo, especialmente no Viaduto Sumaré, levanta questões sobre a fiscalização da Prefeitura, que depende de denúncias da população para agir. Apesar das proibições, empresas continuam oferecendo saltos de grande altura sem supervisão adequada.
Mulher é lançada de 40 metros de altura sem cordas durante salto de rope jump —
Mulher é lançada de 40 metros de altura sem cordas durante salto de rope jump —

Em agosto de 2005, um acidente envolvendo um homem que quebrou o braço durante a prática de rapel no Viaduto Sumaré gerou uma proibição por parte da Prefeitura de São Paulo. Desde então, em 2010, o Decreto nº 51.296 foi estabelecido, reforçando a regulamentação da Lei municipal nº 14.139/2006, que exige autorização do poder público para a realização de Esportes Radicais em áreas públicas da cidade. No entanto, em 2026, empresas que oferecem saltos de mais de 25 metros no mesmo viaduto ainda operam livremente, mesmo com a proibição vigente, atraindo clientes com preços que variam de pouco mais de trinta a menos de cem reais.

A operação, que ocorre toda sexta-feira à noite, das 19h às 23h, e em praticamente todos os fins de semana e feriados, já dura mais de uma década. Atualmente, pelo menos quatro empresas estão ativas no local, formando longas filas de pessoas interessadas em saltar sobre uma avenida movimentada, ignorando as restrições legais.

A responsabilidade pela fiscalização do Viaduto Sumaré é clara, sendo atribuída à Subprefeitura Lapa, com o apoio da Guarda Civil Metropolitana, conforme informações da Prefeitura. Apesar disso, a Prefeitura frequentemente se limita a afirmar que o local é monitorado periodicamente, indicando que qualquer irregularidade deve ser denunciada pelo canal SP156. Essa abordagem levanta questionamentos sobre a eficácia da fiscalização, uma vez que espera-se que a população denuncie as infrações em vez de realizar verificações ativas.

Os próprios empresários do setor tratam a fiscalização como um assunto trivial. Tentativas de agendar um salto frequentemente resultam em respostas que indicam suspensão temporária da atividade, mas logo são seguidas por ofertas de reservas futuras, demonstrando a falta de rigor na aplicação das normas. Uma funcionária de uma das empresas foi incisiva ao afirmar que, quase duas décadas após a proibição, nunca houve uma fiscalização que realmente interrompesse as operações em andamento, que se repetem semanalmente.

Além disso, questionamentos sobre a eficácia do monitoramento são pertinentes, especialmente quando uma equipe de fiscalização não encontrou nada em uma verificação realizada após um aviso prévio sobre um salto programado. A falta de uma resposta efetiva por parte da Prefeitura em relação à fiscalização e à segurança da prática de Esportes Radicais é alarmante, especialmente considerando que, em 2014, a própria Secretaria de Esportes promoveu atividades semelhantes no mesmo viaduto que agora considera proibidas.

Essas questões não são meras provocações, mas sim pontos que necessitam de respostas concretas. Com a legislação e os decretos já estabelecidos há vinte anos, a expectativa é de que a Prefeitura de São Paulo tome medidas proativas para evitar novos acidentes, em vez de agir apenas após a ocorrência de incidentes.