Um mês após a liberação de R$ 7 milhões do programa Prodesenvolve, a Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul) realizou o Fórum Empresarial MS Summit Bonito, em um resort localizado a 296 km de Campo Grande. O evento contou com a presença do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça. Relatos indicam que o ministro cobra cerca de R$ 50 mil por hora para participar de eventos similares.
O ex-diretor da Fiems e pré-candidato a deputado federal, Jaime Verruck, que articulou a liberação dos recursos enquanto chefiava a Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), também esteve presente no evento. Verruck atuou como braço direito de Sérgio Longen no sistema S e foi diretor corporativo da federação.
O evento foi realizado em um espaço luxuoso, que conta com 308 metros quadrados e um auditório com capacidade para acolher 300 pessoas. Além da participação do ministro, a Fiems convidou a CNI (Confederação Nacional da Indústria) para uma reunião de diretoria, que ocorreu paralelamente ao evento. O diplomata e ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, Marcos Troyjo, também proferiu uma palestra durante o encontro.
O gabinete do Ministro André Mendonça não forneceu informações sobre os custos de hospedagem e passagem que foram cobertos pela Fiems, mas afirmou que o ministro não recebeu remuneração por sua participação: “O Ministro André Mendonça não recebeu remuneração pela participação no evento”, foi a resposta oficial.
A CNI foi contatada para esclarecer os custos do evento, mas até o fechamento desta matéria não havia emitido um posicionamento. O espaço permanece aberto para manifestações sobre os custos e a natureza do evento.
O convênio de R$ 7 milhões, que foi liberado pela Semadesc, permite que a Fiems contrate fornecedores e realize “ações organizadas de promoção econômica” no Estado. O recurso foi empenhado em 6 de abril, e a formalização do convênio ocorreu em 10 de abril, com uma republicação posterior em 13 de abril. Durante uma sessão na Assembleia Legislativa, em 23 de abril, o deputado Pedro Kemp (PT) questionou a rejeição de um requerimento que solicitava esclarecimentos sobre o convênio, levantando suspeitas sobre possíveis finalidades do recurso: “Só reforça a suspeita que temos de que esse convênio pode ter outras finalidades”, afirmou.
