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Familiares de menino morto em atendimento médico realizam protesto por justiça

Na manhã deste sábado, familiares de João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, realizaram um ato silencioso em Campo Grande, cobrando justiça pela morte do menino, ocorrida após atendimentos em unidades de saúde. O protesto foi marcado por cartazes e a presença de representantes da Associação de Erros Médicos.
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Um ato silencioso mobilizou familiares de João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, na manhã deste sábado, no cruzamento da Rua 14 de Julho com a Avenida Afonso Pena, no centro de Campo Grande. O menino faleceu em 7 de abril após passar por uma série de atendimentos em unidades de saúde na capital. Vestindo camisetas brancas com a imagem da criança, os participantes ocuparam a faixa de pedestres durante os momentos em que o semáforo fechava, segurando cartazes que traziam mensagens como "a dor virou luta", "justiça por João Guilherme" e "nosso luto virou voz". O luto da família era evidente, com lágrimas visíveis na mãe e em uma das irmãs, que se revezavam entre segurar os cartazes e se amparar mutuamente.

A mobilização contou com a presença de Haldemar Moraes de Souza, presidente da Associação de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul. Ele declarou que a entidade está em contato com o Ministério Público Estadual e que uma reunião com o promotor responsável pelo caso já está agendada, embora a data ainda não tenha sido divulgada. Moraes ressaltou a intenção da associação de obter o prontuário médico completo de João Guilherme, que, segundo ele, foi negado à família, e que essa questão será levada à justiça. "Precisamos mostrar para a sociedade o que realmente está acontecendo na saúde. João Guilherme morreu por descaso, por negligência de uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), de um hospital, e estamos investigando toda a situação", afirmou.

Durante o ato, a família expressou sua indignação e a busca por respostas. A mãe, Regiane Jorge, de 34 anos, enfatizou que o protesto é uma reivindicação por justiça. "Estou reivindicando justiça pelo que fizeram com meu filho, pelo que passei, pelo que ele passou, pelo que deveria ter sido feito e o que foi feito com ele. É isso que queremos", declarou.

De acordo com o boletim de ocorrência, João Guilherme passou por diversas unidades de saúde, onde realizou exames e foi liberado com medicação, mesmo apresentando queixas persistentes de dor. A suspeita de lesão no joelho só foi registrada no dia 5 de abril, com orientação para imobilização dada no dia seguinte. O quadro do menino se agravou no dia 6, quando ele desmaiou e foi levado desacordado a uma UPA, sendo posteriormente transferido para a Santa Casa, onde faleceu após tentativas de reanimação.

O caso foi registrado como homicídio culposo e está sob investigação da Polícia Civil, com encaminhamento à Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA). A Secretaria Municipal de Saúde informou que está apurando o atendimento por meio da análise de prontuários e que eventuais responsabilidades serão verificadas. Neste cenário, a família permanece mobilizada, aguardando respostas que possam trazer algum esclarecimento sobre a perda que, para eles, continua sem sentido.