Falta de dados sobre câncer de pele prejudica diagnósticos no Brasil, alerta estudo

Pesquisa da Fundação do Câncer aponta que dados incompletos sobre raça e escolaridade impactam diagnósticos e tratamentos de câncer de pele no Brasil.
Foto: Desinformação sobre câncer de pele afeta diagnóstico - Foto: Marcello Casa
Foto: Desinformação sobre câncer de pele afeta diagnóstico - Foto: Marcello Casa

Pesquisadores da Fundação do Câncer indicam que os dados oficiais sobre câncer de pele no Brasil estão deficientes, o que compromete tanto o diagnóstico precoce quanto o tratamento da doença. Em 2023, a doença causou a morte de 5.588 pessoas no país, evidenciando a necessidade de informações mais completas nos bancos de dados.

A análise dos Registros Hospitalares de Câncer (RHC), do Integrador dos Registros Hospitalares de Câncer (IRHC) e do Sistema de Informação sobre Mortalidade revelou lacunas significativas. A falta de informações sobre raça e cor da pele foi identificada em mais de 36% dos casos, enquanto cerca de 26% dos dados sobre escolaridade também estavam ausentes.

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O epidemiologista Alfredo Scaff, coordenador do estudo, destaca que esses dados são cruciais para o Brasil, onde a radiação ultravioleta é alta. Informações completas podem direcionar ações de prevenção e melhorar a detecção e o tratamento precoce do câncer de pele, reduzindo diagnósticos tardios.

Na Região Sudeste, que abrange ES, MG, RJ e SP, houve um índice elevado de falta de informações sobre raça/cor da pele, com 66,4% para câncer de pele não melanoma e 68,7% para melanoma. Já a Região Centro-Oeste, composta por DF, GO, MS e MT, apresentou o maior percentual de ausência de dados sobre escolaridade, com 74% para câncer não melanoma e 67% para melanoma.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) considera o câncer de pele o mais prevalente no Brasil. Os tipos mais comuns incluem o carcinoma basocelular e o espinocelular, enquanto o melanoma, embora menos frequente, é mais grave. A exposição intensa ao sol, especialmente durante a infância e adolescência, eleva o risco de desenvolvimento de melanoma.

Scaff também ressaltou a importância do uso de protetores solares e equipamentos de proteção individual para trabalhadores expostos ao sol, como aqueles da construção civil e da agricultura. A exposição a fontes artificiais, como câmeras de bronzeamento, também representa um risco significativo para a saúde.